Uma tarde em Menton

Menton é a última cidade ao longo da costa francesa antes da fronteira com a Itália. Com temperaturas em média 3ºC mais quente que o restante do país, a charmosa “Terra das frutas cítricas” beneficia de um microclima que beneficia este tipo de cultivo. Portanto, espere encontrar vários produtos nas lojinhas locais relacionados com o limão. É tão tradicional que há mais de 80 anos é realizada, em Fevereiro, a “Festa do Limão”. Pense em um carnaval com esculturas feitas de… limão! E laranja.

Em uma das paradas para admirar a vista: o maior veleiro do mundo! Ele custa 425 milhões de euros e tem 100 metros de altura.
Os Jardins Biovès, onde é realizada a “Festa do Limão”.

Deixando para trás o glamour ostensivo da Côte d’Azur e de cidades como Cannes e Mônaco (aliás, vale fazer paradas no caminho porque a paisagem é linda), Menton surpreende pela calmaria. Até então nunca tinha estado na Itália (mais sobre isso adiante), mas as ladeiras com casinhas umas grudadas nas outras e ruelas estreitas era o que eu imaginava de um lugar tão próximo. Esta é a estética típica dos arredores do cemitério e da Basílica de Saint-Michel, no topo de Menton. Se você ainda tiver força nas pernas depois de subir o morro (nós fomos de carro kkk), vale a pena explorar.

A Basílica de Saint-Michel (à esquerda) e a Capela des Pénitents-Blancs.
Reparem no tamanico desta porta!
Vale a foto porque é raro: chuva em Menton!

Menton tem 316 dias de sol por ano. Depois de visitarmos a parte alta da cidade, começou a chover. Pois é. Estávamos prontos para pegar a estrada de volta, porque não tem muito o que fazer em ambientes fechados por lá, quando o sol resolveu dar as caras novamente. Estacionamos e fomos tomar sorvete e depois andar pelo litoral, admirando os diferentes tons de azul do mar e a arquitetura do museu Jean Cocteau.

Uma das lojinhas típicas do centro de Menton.

Outra coisa que dá para fazer andando, mas que é mais fácil de carro: cruzar a fronteira com a Itália! Foi a primeira vez que fiz isso sem ser em um aeroporto e sem ter que passar pela imigração. Foi uma sensação muito engraçada e um pouco assustadora, porque de repente não sabíamos para onde ir e não tínhamos mais internet no celular! Vou ser honesta, rolou uma pequena crise de pânico. É em situações como esta que percebemos como ficamos dependentes da tecnologia. Graças ao GPS do carro continuamos dirigindo por mais uns 20 minutos até Ventimiglia, que era a única cidade que “conhecíamos”. Aspas enormes aqui porque apenas ouvimos falar nesta cidade e isso graças ao trem que passa perto de casa e faz a última parada lá. Hahaha.

Dica: Se der vontade de tomar um sorvete de limão, pergunte antes se ele é feito com a fruta da cidade (se tiver esta exigência). O meu não era, mas estava gostoso.

Aos trancos e barrancos encontramos um restaurante para tomar alguma coisa e resolvemos ficar para jantar – que chique, dar um pulinho alí na Itália para comer gnocchi e voltar para casa! Kkkk. O curioso foi observar que mesmo estando separados por apenas alguns quilômetros, os dois lugares não têm nada a ver um com o outro – nem as pessoas. Eu esperava um mix das duas culturas, sabe? Mas não. Andando na rua e no restaurante já ficou bem claro que não estávamos mais na França. No restaurante fomos bem recebidos e a atendente se desdobrou em atenções conosco, traduzindo todo o menu em inglês. A mesa ao lado começou a puxar assunto e conversamos por um bom tempo. Quem já passou pela França sabe que isso não acontece. Cruzar a fronteira foi uma ótima experiência e só me deu mais vontade de conhecer a Itália. Também me deu uma nova tarefa: aprender Italiano!

Gostaram das fotos? Me conte aqui nos comentários se você já teve esta experiência de mudar de país “de uma hora para a outra” e com foi!

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Trilha de raquete nos Alpes do sul da França

Quem assistiu ao vídeo da primeira vez em que vi neve já sabe que a minha expectativa infantil foi frustrada porque ela não era “fofinha”. Muitas pessoas ressaltaram que era porque eu estava nas pistas de esqui. Pois uma semana depois da gravação deste vídeo, fizemos outra atividade no topo das montanhas: trilha. Ou seja, desta vez deu para literalmente afundar na neve! E ainda de quebra realizei aquele desejo de “estar em dois lugares ao mesmo tempo” pois atravessamos a fronteira entre a França e a Itália pelos Alpes.

A muralha que demarcava a fronteira entre os dois países antes da 2ª Guerra. A atual fica a alguns metros.

Este programa foi proposto pelo próprio escritório de Turismo da Isola 2000, mas com certeza outras estações fazem o mesmo. Pagamos 20€ /pessoa e tivemos direito ao guia, ao aluguel do equipamento, ao telesqui (que nos leva até o topo da montanha) e até a um piquenique a 2.350 metros de altitude! Vale a pena ressaltar que antes investimos em um calçado apropriado para trilhas: com o cano mais alto para proteger o calcanhar e impermeável, característica essencial durante o inverno. A proteção contra a água deve ser levada em conta também para a calça.

Piquenique tradicionalmente francês: pão, queijo, frios e vinho! De sobremesa: iogurte fresco e torta de mirtilo.

Caso já possua as raquetes, pode-se explorar o domínio por conta própria. Mas honestamente, é pouco recomendável porque o lugar é imenso, isolado e se você tiver um problema, só Deus para te ajudar. No dia em que fizemos isso tivemos muita sorte porque o céu estava limpo e não tinha vento, porém o risco de avalanche ainda era de nível 4. Descobri escrevendo este post que o máximo é 5 (#loucura). Daí a importância de ter alguém com experiência para saber a técnica, por onde passar e os lugares a serem evitados.

As raquetes ajudam a não afundar na neve e os “dentes” de metal no solado na aderência em subidas e descidas.

Mesmo com toda essa assistência eu consegui cair e ficar entalada em um buraco (kkkk). Afundei a perna esquerda inteirinha e precisei da ajuda de duas pessoas para conseguir sair. Uma delas teve que agarrar a minha calça porque não alcançava o meu pé. Não foi legal. Isso do meu ponto de vista, porque o meu marido se divertiu. (Se vocês forem legais nos comentários eu solto o video no InstaStories @jujgarzon hahaha).

Parece ser super tranquilo no quesito esforço físico, mas juro que é pior do que correr na areia. Juntando a altitude, a quantidade de roupas, o peso do sapato e da raquete, o fato de você às vezes afundar até os joelhos (ou mais!) e de subir e descer colinas nestas condições durante três horas, a luta é real. Mas eu me diverti muito mais do que esquiando – tirando a parte do telesqui, que é aterrorizante para quem tem medo de altura como eu. Deu para ver o meu desespero no fim do vídeo.

A chegada do telesqui “Lombarde”, a 2.350 metros de altitude.

Lá em cima é uma paz silenciosa mágica com uma vista inebriante. Apesar de eu tentar contar as minhas impressões aqui, nada se compara ao sentimento de vulnerabilidade face à grandiosidade da natureza. Sim, esta é a parte poética do post (haha). Mas sério, enquanto o esqui não é algo que eu diria que você pre-ci-sa fazer pelo menos uma vez na vida, uma aventura como esta com certeza é.

A corda no canto inferior esquerdo delimita a atual fronteira entre França e Itália.

Se você se interessou por este tipo de atividade, entre em contato com o departamento de turismo da sua estação preferida para saber a programação. Normalmente as vagas são limitadas e precisam ser reservadas antecipadamente.

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