Afinal, os franceses não tomam banho?

Na semana passada, o tal cliché (ou não) envolvendo o banho e os franceses voltou à tona na mídia por conta de comentários feitos pela atriz Thaila Ayala que estava (ou ainda está?) de passagem por Paris. “As pessoas fedem muito nessa França, nessa Paris. É claro que deve ter suas exceções como qualquer lugar do mundo, mas sabe o que é você quase vomitar? É muita gente fedida”, declarou em seu InstaStories. O vídeo de um cearense falando da tal “catinga refrigeralizada” viralizou esta semana. Mas afinal, os franceses cheiram mal mesmo? Eles não tomam banho?

Minha primeira reação é rebater com uma negativa. Isso porque o meu marido é francês e quando as pessoas soltam uma afirmação generalizada do tipo “os franceses fedem”, meu instinto é defendê-lo. Assim como ele faria se ouvisse de alguém que “toda brasileira é siliconada” ou algo do tipo. Então antes de opinar, vamos aos fatos.

Contextos diferentes

O Brasil é um dos lugares onde mais se toma banho, até três vezes por dia. Os motivos a gente  que nasceu lá (aí) já sabe: faz muito calor, gostamos de estar cheirosos e fresquinhos, nos sentimos bem, desde muito pequenos as nossas mães ficavam no pé para pararmos de assistir desenho e ir para o chuveiro… e por aí vai. Muitos de nós têm até o cuidado de levar uma escova de dentes para o trabalho para limpar os dentes depois do almoço. Faça isso em algum outro lugar do mundo para ver como os outros vão te olhar.

Na França, a contexto é outro – e bem mais antigo. Por exemplo, Louis XIV, que transformou o castelo de Versailles no que ele é hoje, é considerado um dos reis mais sujos da história. Durante os quase 80 anos de reinado, ele só teria tomado no máximo cinco banhos “inteiros” na vida e usava perfume para disfarçar o odor. A medicina antiga acreditava que a sujeira na pele servia como uma barreira contra doenças, a Igreja considerou o banho como imoral, as guerras deixaram a higiene corporal em segundo (ou até terceiro) plano… e por aí vai.

Até chegar em uma época não tão distante assim, como a geração dos avós do meu marido, em que por falta de infraestrutura adequada e de água aquecida, a prática comum (chamada aqui de “toilette”) era limpar apenas as partes íntimas, embaixo do braço e o rosto com uma luvinha de tecido de toalha. E esses hábitos foram repassados para as próximas gerações. De maneira que apesar da maioria (quase 68%) hoje tomar um banho todos os dias, ainda tem 20% da população que não o faz. Isso é um francês a cada cinco. E ainda tem os assustadores (do ponto de vista dos brasileiros) 3,5% que afirmam só tomar banho uma vez por semana.

Ou seja, não dá para dizer que os franceses tomam banho como os brasileiros. Mas também não dá para afirmar que a exceção é quem toma banho. A diferença na importância que o banho tem no cotidiano faz realmente parte da esfera cultural. Tem dermatologista francês que insiste que mais de um banho por dia tira a barreira de proteção da pele e que é ok fazer o mínimo com a tal luvinha – desde que ela seja trocada a cada vez. E tem francês que ouve. No Brasil, podem aprovar uma lei contra o banho que nós não vamos mudar os nossos hábitos. E do mesmo jeito que nós não estamos preparados para quando faz frio, eles carecem de preparos estruturais (tipo ar condicionado em tudo quanto é lugar) e físicos para encarar o calor.

Para concluir, acho que o errado dessa história é generalizar e exagerar. Já encontrei muitas pessoas fedidas por aqui, sim. Mas assim como no Brasil, a maioria foi em situações durante o verão, no fim do dia dentro do transporte público. Em quase quatro anos morando na França, o cheiro de “apenas” uma pessoa realmente me deu ânsia de vômito. Ok, em 23 anos morando no Brasil, que eu me lembre, isso nunca aconteceu. Mas deve ter sido muita má sorte da moça, durante uma estada de alguns dias, entrar numa loja onde estavam concentrados todos os 20 e tantos porcento de franceses que não tomam banho todo dia.

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Diferenças na celebração do Natal entre Brasil e França

Como disse no vídeo de montagem na nossa árvorel, celebrar o Natal é algo que eu adoro fazer. Reunir a família, trocar presentes, comer, comer mais um pouco e comer até explodir. Hahaha Não deixei de fazer isso ao me mudar para a França, mas precisei me ajustar a algumas mudanças. Resolvi então contar para vocês algumas das diferenças na celebração do Natal entre o Brasil e a França.

Vale lembrar que essas são curiosidades que observei e comparei entre as minhas famílias dos dois países. Portanto pessoas que moram e lugares diferentes e com tradições diferentes podem não tirar as mesmas conclusões.

O Presépio

Imagina a cena: pouco antes do Natal visitamos uma igreja. Fui dar uma olhadinha no presépio e “ué, cadê Jesus?!” “Ele ainda não nasceu!”. Lógico. Lógico, porém estranho ver o berço vazio. Mas pois é, aqui eles esperam até depois do dia 25 para colocar o menino Jesus. Além disso, é raro ver um presépio em lugares públicos como centros comerciais ou praças.

Mercado de Natal (Marché de Noël)

Ok, alguns lugares no Brasil realizam quermesses durante esta época, mas por aqui essas feirinhas são extremamente organizadas. Todos têm a mesma casinha de madeira e o espaço é público. Por questões de segurança (desde os atentados terroristas) a área é cercada e a entrada e a saída são feitas por apenas um lugar. Antes não havia nenhuma barreira ou revistas de bolsas. Paris colocou até blocos de concreto na calçada na tentativa de evitar o que aconteceu em Berlim.

Ceia

No Natal brasileiro faz um calor “do cão” e nós comemos o que tem de mais pesado: leitoa, arroz, farofa (tudo sem uva passa, pelo amor!), creme de milho e tender (saudade da vó!). Aqui, faz frio e eles comem frutos do mar tipo ostras, salmão cru e camarão pitu. Digo “eles” porque eu realmente não como quase nada da ceia de Natal da minha família francesa. Ainda para “piorar” – para mim -, é um prazer para o anfitrião servir o famoso foie gras aos convidados.

Ah, não posso esquecer de mencionar que o jantar dura hoooooras. E todo mundo fica na mesa, não é aquela história de cada um ir para outro lugar da casa até dar meia noite.

Sobremesa

Você não vai me ouvir reclamar nesta parte. Ouso dizer que o chocolate no Natal francês é tão importante (ou ainda mais!) quanto na Páscoa. As pessoas se presenteiam caixas elaboradas e normalmente outras são reservadas para o fim da refeição. Além disso tem a grande estrela, a “Bûche de Noël”, que é tipo um bolo (mas pode ser de sorvete também) em formato de lenha. Adivinha qual o sabor mais comum? Acertou quem disse chocolate.

 Presentes

Aparentemente (digo isso porque aconteceu comigo e com conhecidos, mas não sei se dá para generalizar), comida é considerada como presente para os franceses. E não quero dizer aquela cesta de Natal que você ganha da empresa. É presente embrulhado embaixo da árvore, mesmo. Eu sei que o que conta é a intenção, mas é complicado receber uma lata cerveja – mesmo que seja brasileira – e sorrir, hein? Moral da história é que isso aconteceu só uma vez. Kkkk

Outra diferença com o Brasil é que na França, assim como nos EUA, o dia de abrir os presentes é na manhã do dia 25. Para uma pessoa ansiosa como eu, é a morte. A minha família francesa logo entendeu e “abrasileirou” isso para mim. Hahaha

Espero que tenham gostado de saber essas curiosidades! Qual a maior diferença para vocês, comparando com os costumes brasileiros? Se você já passou o Natal em outro país, nos conte nos comentários a sua experiência e algumas curiosidades!

Para finalizar, gostaria de desejar a todos vocês um Feliz Natal e uma celebração cheia de paz e gratidão! Que o amor esteja presente em cada ação, pensamento e contato. Sei que de vez em quando reuniões de família enchem o saco, mas apreciem o privilégio desses momentos, pois a vida é curta e não sabemos o que o amanhã nos reserva.

 

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5 perguntas que você precisa se fazer antes de decidir morar fora do Brasil

Viver no exterior é o sonho de muita gente. Porque parece que fora do nosso país as coisas dão mais certo. Porque poderíamos ter as coisas que no Real custam um absurdo. Porque temos a impressão de que pilantra só existe no nosso quintal. Porque não tem trabalho e nada dá certo. Ou não. É apenas vontade de apostar em algo novo. Uma tentativa de se virar sozinho, de se perder e de se lançar no desconhecido. Mudar de cultura, de mentalidade, de ares.

Seja qual for o motivo – e existem milhões -, sair do Brasil e ir morar fora é o objetivo de muitos. Também era o meu. Não estou falando sobre fazer uma viagem ou um intercâmbio. Este post é dedicado àqueles que querem empacotar tudo e comprar apenas uma passagem de ida.

Não peço para que se faça estas perguntas com o objetivo de te desencorajar e nem para te deixar com dúvidas ou mágoas. Quero apenas que você coloque estes pontos na balança. Quero te ajudar a decidir se partir ainda é a melhor opção. Considere isso como um conselho de amiga. Aquela amiga às vezes chata que fala algumas verdades que você não quer ouvir. Mas amiga mesmo, porque se no final você ainda responder “sim” ao sonho de ir embora, eu vou te apoiar 100%.

1- O que vou fazer lá?

As exigências variam de acordo com o país, mas fato é que caso queira entrar e ficar legalmente em outro território, você precisa seguir determinadas regras. Ok, você vai fazer um curso do idioma local. Mas e depois? Se pensa em arrumar um trabalho, considere que não é fácil as empresas se responsabilizarem por um estrangeiro. Já é difícil arrumar emprego quando você tem toda a documentação, imagine dependendo do empregador para obter os papéis.

A parte burocrática deve sim pesar muito na sua decisão caso ainda não tenha visto de residência, nacionalidade e etc. Considere também a orientação do governo do país onde pretende viver, pois a política mais rígida (nacionalista) – ou não – vai influenciar nas condições para obter documentos que lhe permitam ficar legalmente no país.

2- Tenho dinheiro o suficiente?

Viajar não é barato. Qualquer pessoa que já se aventurou sabe disso. Mudar para outro país – com o Real cada dia menos valorizado – é mais caro ainda. Você terá as mesmas despesas que tem no Brasil. Ok, talvez não tenha mais que manter o seu carro, mas vai ter que incluir na conta o transporte público. E não, você não vai aguentar comer lanche todos os dias pelo resto da sua vida.

O que eu quero dizer é: pagar as contas e cumprir compromissos é a mesma coisa em todos os lugares do mundo. Se você está com dificuldades para não ficar no vermelho no Brasil, como esta situação pode melhorar no exterior?

3- Sei ficar bem sozinho(a)?

Se ao chegar você for acolhido por amigos e/ou familiares, pode desconsiderar este questionamento. Mas se for se aventurar sozinho, você aguenta a solidão? Sabe se virar nos perrengues? Claro, nada te impede de ter um novo círculo de amizades no novo endereço. Mas a não ser que seja muito (muito) extrovertido e der muita (muita) sorte, isso leva um tempo. Até lá, tudo bem abraçar só o travesseiro quando quiser chorar?

Não estou sendo pessimista, não quero que você chore. Mas você vai passar por tantas mudanças… Se tudo for 100% maravilha para você, então por favor entre em contato e me ensine! E não falo deste tópico só pela tristeza. Alegria compartilhada é mais gostosa. O Skype, as fotos no Facebook e os snaps são o suficiente para você? Tudo bem não ter ninguém com você no dia do seu aniversário, no Natal ou você perder o Dia das Mães e o primeiro aniversário do seu sobrinho? Se prepare também porque aquelas pessoas queridas que ficaram no Brasil vão seguir a vida sem você. 

4- Conheço a cultura do lugar onde pretendo ir?

Esqueça os clichés dos filmes ou o que você acha que já sabe. Você conhece realmente a cultura, as tradições e as regras sociais do lugar onde quer morar? Pode ser algo menos grave, que não vai te prejudicar, tipo saber que aqui na França a gente não dá beijinho no cabeleireiro. Só aprendi isso na prática e passei vergonha, mas acabou por aí. Pode ser também saber que a sua maneira de se vestir deve mudar, ou que você não pode manifestar afeto na rua. Em alguns lugares a penalidade pode ser mais grave do que simples bochechas coradas. Pesquise, pergunte e se informe.

5- Estou preparado(a) para fazer sacrifícios?

Cresci ouvindo dos meus pais que a vida é difícil. Achava que isso era só pessimismo deles. Hoje, com um pouquinho mais de maturidade, já consigo ver que é um fato. Para alcançar objetivos é preciso fazer sacrifícios. Os outros verão o que você conquistou e vão ignorar a luta, mas você saberá. Enfim, isso acontece no mundo todo. Entende? Não é saindo do país que a sua vida vai ficar mais simples.

E aí podem vir também os sacrifícios mais práticos. Por exemplo: talvez no Brasil você tenha uma ajuda na hora da faxina ou na lavanderia. Lá fora (a não ser que você tenha dinheiro, claro), fica muito mais caro ter este tipo de serviço. Ou seja? Mão na massa. A mordomia acaba quando você cresce e resolve bater asas. 

E aí, pensou? O que você quer fazer?

De novo: não quero desencorajar ninguém. Mas quero sim que você tome uma decisão consciente, pesando os positivos e os negativos. Claro que existe o lado bom. Só que este já está lá no Instagram para todo mundo ver.

Mora ou já morou no exterior e acha que deixei uma questão de fora? Comente! Vamos trocar experiências.</>

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Vlog: escolhendo e decorando a árvore de Natal

Decorar a árvore de Natal com certeza é a minha tradição favorita desta festa. Claro que ganhar e dar presentes é muito bom também, mas adoro poder recordar os momentos que cada enfeite representa. A decoração da nossa árvore pode até não chamar a atenção, mas é muito pessoal e faz parte da nossa história. E é um pedacinho disso que resolvi compartilhar com vocês.

Aqui na França há a opção de escolher uma árvore natural em vez de ter uma de plástico. Para nós brasileiros, isso é coisa de filme e longe da nossa realidade. Para mostrar como é, onde ficam e as inúmeras opções, levei vocês em uma loja especializada em jardinagem. Mas saibam que por aqui, árvore de Natal natural dá para comprar até no Leroy Merlin.

Não esqueça de curtir o vídeo e de me contar nos comentários o que achou!

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Desventuras de uma mudança para o outro lado da França

Até os 13 anos mudei algumas vezes de cidade em torno do interior de SP, seguindo transferências profissionais do meu pai. Mas foi apenas ao fazer a minha primeira mudança aqui na França que reparei que não tenho nenhuma memória desse processo. Conversando com a minha mãe lembramos que eu ia para a casa da vó enquanto eles faziam todo o trabalho. Quando eu voltava o meu quarto já estava arrumado e a vida seguia um novo porém estável rumo. Pois a mudança de Nantes para Antibes – resultado de uma transferência profissional do marido – mudou isso.

Mais de mil e duzentos quilômetros separam as duas cidades. Um orçamento com uma empresa especializada para realizar o trabalho ficou em cinco mil euros. CINCO MIL EUROS. Nem preciso falar que nem consideramos, né? Aí ficaram duas alternativas: alugar um caminhão pequeno e fazermos nós mesmos o trajeto ou graças ao trabalho do meu marido usar a transportadora que faz o trajeto entre as duas agências. Atravessar o país com literalmente tudo o que eu tenho “nas costas” não parecia a melhor – e mais segura – opção e por isso resolvemos escolher a segunda. A desvantagem é que tudo teria que ser equilibrado em paletes e não poderia ultrapassar os dois metros de altura; algo desafiador quando só a parte lateral da sua cama faz 2.15m.

Parece difícil? Aparentemente não era complicado o suficiente para nós, por isso resolvemos adiantar a mudança em alguns dias. A decisão foi tomada numa terça-feira e tudo deveria estar pronto para partir na quinta-feira da mesma semana às 14h. Desnecessário descrever a correria para desmontar e embalar tudo, salvo a madrugada de quarta para quinta-feira. Menos de duas horas de sono é muito pouco até para Coco, que quando teve a portinha da casinha aberta para sair, só deu uma cheirada e voltou para dentro para dormir. Levamos os móveis num utilitário de casa até o trabalho do marido em inúmeras viagens. Na última, entreguei as chaves para ele e fiquei de encontrá-lo com o nosso carro no depósito da empresa para podermos constituir as paletes. Só que eu tinha trancado o apartamento e ele já tinha ido embora. 

Sem abrigo e sem aliança

Fiquei para fora de casa sem chave, sem celular e o pior – sem blusa de frio. Era uma manhã de outono típica em que o termômetro não chegava nos 10 graus. Vesti a carapuça de louca e fui andando até a empresa (ainda bem que era uma possibilidade!). Fiz uma propaganda bem efetiva para a Life Shirts, porque todo mundo me olhava do alto de seus cachecóis, casacos e chapéus. Depois de passar por um processo de descongelamento e de estar no melhor momento (físico e psicológico) para conhecer colegas de trabalho pela primeira vez, deu-se início ao Tetris da vida real. Terminamos de montar, equilibrar, proteger, encapar e etiquetar às 13h58.

Sexta-feira foi dia (e noite) de limpar o apartamento e deixar tudo o que não queríamos mais (e/ou o que não coube na mudança) na garagem para que os meus sogros passassem para pegar. Depois de limpar o antigo lar melhor do que eu jamais o fiz, me dei conta que não estava com as minhas alianças. Algo normal, pois tenho o hábito de tirá-las quando lido com produtos químicos. O que não era normal era elas não estarem em cima da bolsa, onde as tinha deixado antes de começar a limpar e onde achei que teriam ficado mesmo quando mudei a bolsa de lugar. Perder alianças de noivado e casamento já é algo estressante e só fica pior à 1h30 da manhã. Achei! Achei! A que ficou no fundo da bolsa. A sorrateira que se escondeu dentro do saquinho do óculos de sol só foi encontrada alguns minutos depois pelo marido mais calmo do que eu.

Não sei se já falei isso aqui, mas desde que eu vim para a França, marquei que queria a vida com emoção – nada de fazer as coisas do jeito mais simples. Depois de tudo isso, #partiu a viagem em três partes até o novo lar. Nantes > Angers, Angers > Nîmes, Nîmes > Antibes. E agora, bem, as caixas já foram descartadas, as roupas estão no devido lugar e finalmente podemos dormir no colchão. Mas ainda falta lavar a roupa acumulada, mudar o endereço em tudo quanto é site, não trombar na porta durante a noite e decidir se a Coco dorme ao lado do sofá ou em frente a TV. Não sei se algum dia alguém disse que é divertido se mudar. Talvez eu tenha pensado isso antes de descobrir que mudança realmente não é brincadeira de criança.

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Como tirar o visto francês para estudantes #4

Este é um tema que ainda gera muitas dúvidas em quem está se preparando para vir para a França como estudante. São várias etapas, papeladas e taxas que devem ser previstas. O meu processo durou quatro meses. Consegui o documento na primeira tentativa e aqui dou dicas para você conseguir o seu também.

A terceira parte deste guia com “O Consulado” está aqui.

O exame médico

Pronto. Conseguiu o visto, chegou na França e agora pode aproveitar a sua estada, certo? Não tão rápido. Quer dizer, é claro que você pode começar a explorar e a se divertir, mas não pode esquecer duas formalidades importantíssimas: a inscrição pedagógica no estabelecimento de ensino e o exame médico no Office Français de l’Immigration et de l’Intégration (OFII – Escritório Francês da Imigração e da Integração, em português). Esta segunda etapa é apenas exigida para os detentores de um visto com prazo superior a seis meses.

Sobre a inscrição na escola, cada instituição tem um prazo e eventuais exigências de documentos. Não deixe de saber esses detalhes antes de viajar. Assim você tem tempo para providenciar algum documento no Brasil e também pode ajustar melhor a data das passagens. Caso não conseguir chegar no prazo, não deixe de explicar a situação à administração para que uma solução possa ser acordada entre as duas partes.

Já sobre a visita médica obrigatória no OFII, é preciso realizá-la no prazo máximo de três meses após a entrada em território francês ou no espaço Schengen. Apenas após esta etapa o seu visto será validado como “visa valant carte de séjour”, permitindo que você fique aqui legalmente.

A lista completa dos OFIIs está disponível aqui.

Documentação 

O Campus France, informa que  “alguns estabelecimentos assinaram uma convenção com o OFII para poderem receber a documentação de validação de visto juntamente ao bureu d’accueil des étudiants étrangers. Cabe ao estudante se informar junto à instituição de ensino francesa se este serviço estará em vigor no momento de sua chegada”.

A Universidade de Nantes, no momento da minha chegada, possuía esse tipo de serviço e facilitou muito! Mas caso a sua escola não o tenha, assim que chegar você precisa enviar em uma carta registrada ao OFII correspondente à sua residência: o formulário preenchido (fornecido pelo consulado mas também disponível aqui) e cópia das páginas do passaporte que indicam os dados pessoais, o visto e o carimbo que atesta o dia de sua entrada na França ou no espaço Schengen. Você receberá de volta uma convocação para o exame.

Neste dia, você deve levar: o passaporte, uma justificativa de domicílio, uma foto 3×4 (ou 35×45 mm) e os selos fiscais (com a menção ANAEM ou OMI) comprovando o pagamento da taxa de 58€.

Não se preocupe, é um exame geral de saúde e raio-X. Eu tinha até levado uma cópia da minha carteira de vacinação e a médica gostou de dar uma olhada. Eles fazem perguntas básicas e normalmente esses profissionais falam pelo menos um tiquinho de inglês (caso ainda não consiga se expressar em francês).

Esta etapa é mais uma burocracia chatinha que não tem como contornar. O meu conselho é fazer isso o mais rápido possível (não deixe para começar o processo na última hora!) para ficar livre – e tranquilo(a) – o mais cedo possível. Se este procedimento não for cumprido, o visto perde a validade três meses após a data de emissão.

Esta é a última parte desta série de posts. Confira a página inicial do guia aqui. Espero ter ajudado e se ficou alguma dúvida, é só entrar em contato!

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Como tirar o visto francês para estudantes #3

Este é um tema que ainda gera muitas dúvidas em quem está se preparando para vir para a França como estudante. São várias etapas, papeladas e taxas que devem ser previstas. O meu processo durou quatro meses. Consegui o documento na primeira tentativa e aqui dou dicas para você conseguir o seu também.

A segunda parte deste guia com “As etapas do Campus France” está aqui.

O  Consulado

O agendamento da solicitação de visto junto ao Consulado é feito pela internet. Aqui cometi um “erro”: fiquei esperando pela confirmação do Campus France (que demorou uma semana) e quase não achei datas disponíveis, já que estava bem no período de maior movimento no Consulado francês – que vai de junho a setembro, logo antes do início do ano letivo francófono. O Consulado pede que você não entre com o pedido de visto com mais de oito semanas de antecedência. Eu tinha cinco e as passagens aéreas já estavam compradas.

A relação de documentos a serem entregues no Consulado está aqui, e ela varia de acordo com o caso. Eu entrei na categoria “Visto de longa duração para estudantes de curso de francês”, que tem exigências relativamente simples. A única dificuldade que encontrei foi efetuar o pagamento total do curso à distância. Pelo menos na Universidade de Nantes, o pagamento é feito apenas na hora da inscrição presencial, então tive que falar diretamente com o serviço de contabilidade para poder resolver isso. Além dos documentos pedidos, leve tudo (cópia + original) o que comprove que você tem renda mais do que o suficiente para ficar no país durante o determinado período. Pense mais alto do que os ditos 615€ mensais.

Fui ao Consulado com quatro envelopes: os documentos requisitados originais; as cópias deles, os documentos extras originais e as respectivas cópias. Organize-se ao máximo para poder entregar o que for pedido o mais rápido possível. Entre os últimos, estava a declaração de financiamento do meu pai e todos os seus comprovantes de renda. Eu tinha a quantia mínima exigida de 615€/mês para sustento em meu nome, mas, mesmo assim, resolvemos incluir os papéis de um responsável. Usamos os modelos oficiais de declaração, disponíveis aqui. Foi a sorte.

Meu namorado, que era com quem eu iria morar, escreveu uma carta convite. Não há um modelo oficial, então pegamos um exemplo na internet. Ele falou onde trabalha, onde mora e que, em caso de necessidade, me ajudaria com as despesas. A dúvida era se ele deveria me declarar como sua namorada, pois normalmente esta situação não é sinônimo de estabilidade. Resolvemos que era melhor não tentar esconder a verdade, mesmo correndo o risco de isso acarretar na recusa do visto. É muito importante anexar à carta uma cópia do comprovante de endereço e da identidade da pessoa. Além disso, eu também tinha uma cópia do contrato de locação do apartamento. Para quem ficará na casa de um conhecido por menos de três meses por motivos pessoais (e não estudo), é necessário uma “attestation d’accueil”.

A entrevista

Após se identificar na recepção, você deverá preencher um formulário e um atestado de que recebeu as informações da imigração (tudo em francês). Na minha entrevista, foram logo pedindo as cópias dos documentos exigidos. A pessoa perguntou se eu já havia estudado francês e eu respondi que tinha feito apenas um intensivo. Ela pediu um comprovante disso, mas expliquei que como não havia concluído o curso, não tinha o tal documento. Insistiu, então, para saber se eu era capaz de falar francês e eu disse que poderia entender o básico. Ao ressaltar que algumas instituições exigem um determinado nível, expliquei que havia me inscrito na Universidade de Nantes justamente por aceitarem debutantes no idioma.

Depois, chegou a hora de questionar quem era a pessoa que iria me acolher. Quando disse que era meu namorado, perguntou se eu estava indo apenas para viver com ele. Sem pestanejar repliquei que queria estudar e que ele acabou facilitando as coisas porque tinha me oferecido um lugar para ficar e o assunto acabou ali. Apesar de ter entregue as justificativas financeiras em meu nome, logo me foi exigido entregar as do meu pai também (que tinha levado caso fosse necessário!). Os números foram checados atentamente.

Se depois da entrevista eles consideram que a documentação está correta, eles te liberam para pagar a taxa de 50€ (quitação em Real e em espécie – leve o dinheiro trocado!) e para processar os seus dados biométricos. Cerca de 15 dias depois o visto fica pronto. Você pode conferir o status do processo pelo mesmo site do agendamento.

Tenho a superstição de não contar sobre os meus planos até que estejam bem concretos. Ou seja, não contei para ninguém que estava me mudando para a França até ter o visto em mãos – duas semanas antes de embarcar.

Confira a página inicial do guia aqui e veja quais serão os próximos assuntos abordados. Ficou alguma dúvida ou tem uma sugestão de conteúdo? Entre em contato.

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Como tirar o visto francês para estudantes #2

Este é um tema que ainda gera muitas dúvidas em quem está se preparando para vir para a França como estudante. São várias etapas, papeladas e taxas que devem ser previstas. O meu processo durou quatro meses. Consegui o documento na primeira tentativa e aqui dou dicas para você conseguir o seu também.

A primeira parte deste guia com “Informações iniciais básicas” está aqui.

As etapas do Campus France

Com o papel original da aceitação da faculdade em mãos, comecei o processo com o Campus France. Foi simples e se tiver dúvidas, pode entrar em contato com eles para esclarecê-las. O pessoal foi bem atencioso comigo. Lembrando que fiz a minha inscrição na Universidade de Nantes sozinha. Quem ainda não tiver esse documento, pode solicitar a ajuda da agência para encontrar uma escola em determinados casos. Os dois procedimentos são diferentes.

Para quem já foi aceito em uma instituição de ensino francesa, o primeiro passo é se cadastrar no site do Campus France. É por lá que você acompanhará a validação de cada etapa antes da entrevista – são cinco no total. Por isso, não perca seu número de registro e senha de acesso. O formulário está em francês (lembram que recomendei já ter pelo menos uma noção do idioma?) e pede dados básicos como nome e data de nascimento.

O preenchimento do dossiê é o segundo passo. Lá você deve responder perguntas sobre o seu nível de escolaridade no Brasil, a motivação do seu estudo na França, se já estudou o idioma estrangeiro (onde e por quanto tempo), se já morou fora do Brasil e etc. Ou seja, são esses dados que devem estar de acordo com o seu projeto de estudos. Separe todos os certificados que tiver e digitalize-os, pois você vai precisar anexar esses documentos ao formulário online. (Conselho: leve também originais + cópias na entrevista, vai que…).

Depois de enviado, o seu dossiê passa por uma avaliação da equipe Campus France. Em até 72 horas você deve receber um retorno validando o seu processo ou, eventualmente, solicitando correções. Esta é a terceira etapa. No meu caso, não houve nenhuma correção e quando fiz esse procedimento, tive ainda que enviar a cópia de alguns documentos para o escritório deles, mas agora aparentemente tudo está digital – o que facilita bastante!

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A quarta etapa é o pagamento da taxa administrativa, atualmente fixada em R$450,00 (em 2013 era de R$335,00). As orientações são dadas por inbox no site e devem ser seguidas no prazo máximo de dois dias úteis. Após validação, você pode agendar a entrevista.

Quinto passo: O agendamento é feito por e-mail, mas você recebe as instruções pela caixa de mensagens. Por isso que é tão importante sempre acessar o site e acompanhar a validação das etapas.

Todo esse processo, que, eu sei, parece bem longo, demorou apenas uma semana para mim (e olha que tive que enviar documentos pelos Correios!).

A entrevista do Campus France

A lista dos casos dispensados de entrevista pré-consular está aqui. Ela deve ser feita presencialmente em uma das seguintes capitais brasileiras: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Luís, São Paulo e Salvador.

Uma entrevista de candidatura aos estudos superiores na França deve idealmente ser realizada, parcialmente ou integralmente, em francês. Para os outros casos, pode ser em português. De uma forma geral, a conversa dura 30 minutos e aborda assuntos ligados ao percurso de estudos e aos objetivos acadêmicos na França. É como uma entrevista de emprego (porém bem menos formal), onde você deve explicar as suas escolhas, motivações e aspirações profissionais. Não esqueça de dar um toque pessoal em suas repostas, para não ficar robótico e mostre conhecimento sobre o programa oferecido pela futura escola.

Minha entrevista durou 15 minutos e foi em português. Basicamente, fiz um monólogo de todo o meu currículo, falei da minha experiência em Chicago e no fim ela me deu o papel que atestava o fim do processo com o Campus France. Este documento faz parte dos exigidos pelo Consulado para conseguir o visto francês para estudantes.

Confira a página inicial do guia aqui e veja quais serão os próximos assuntos abordados. Ficou alguma dúvida ou tem uma sugestão de conteúdo? Entre em contato.

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10 comentários preconceituosos que ouvi na França

Ontem, na página Facebook do Madame Brasil (curte lá!), falei um pouquinho sobre como o preconceito machuca a vítima dele. Tentei passar que ninguém é obrigado a saber de tudo e nem é desprovido de ideias pré-concebidas, porém que com discussões inteligentes podemos entender o outro ponto de vista e respeitar as nossas diferenças.

A reflexão veio com o vídeo da campanha “Racismo virtual. As consequências são reais” da ONG Criola, organização que atua pela defesa dos direitos das mulheres negras. Eles expuseram em outdoors mensagens racistas que algumas pessoas publicaram nas redes sociais. Frases curtas, mas com ódio palpável e com muita falta de reflexão.

E aí vocês podem se perguntar: “ah, mas o que uma jovem branca de classe média sabe sobre sofrer preconceito?”. Sei o suficiente. Mesmo quando morava no Brasil fui vítima. Em um determinado momento era metida porque estudava em escola particular, no outro não era boa o suficiente porque não estudava na escola particular certa. Mas isso não é nada perto do que encontrei aqui na França.

Assim como a campanha, resolvi listar alguns dos comentários absurdos que ouvi da parte de alguns franceses ao saberem que eu era brasileira. Foram situações que enfrentei com pessoas de diferentes regiões do país e de diferentes faixas etárias. É muito generalista dizer que todos os franceses pensam isso de todos os brasileiros, ou que todos eles são contra a imigração, mas tenho certeza de que não sou a única a ter ouvido comentários como estes:

1.“Mas você é branquinha. Quando me disseram que você era brasileira, esperava alguém com a pele mais escura.”

2. “Você não entende muito o francês, mas quando falamos de casamento e de ter filhos você entende, não é?”

3. “Nos lugares onde não há estrada no Brasil… Vocês andam de jegue?”

4. “Vocês têm morango no México?”

5. “Ah, você ainda está aqui. Quando você vai voltar para o seu país?”

6. “Você deveria falar com o seu noivo em francês, assim você aprende o idioma.”

7. “Ah, você é brasileira! Então você fala espanhol?”

8. “Quando os homens daqui vão para o Brasil, nós nos preocupamos. Porque sabe, as mulheres brasileiras…”

9. “Você sabe que aqui nós temos a carteirinha do Front National, né?” (FN: partido de extrema direita, contra a imigração em território francês)

10. “Então você é brasileira… Você veio da favela?”

Agora imagine-se nesta situação: você chegou há pouco tempo e ainda está aprendendo o idioma, portando não tem vocabulário o suficiente para formular uma resposta digna. Por razões particulares deixou emprego, família e amigos para trás. E este é o seu comitê de boas vindas. É difícil de engolir, não é?

Não interessa se você tem nível superior de estudos, fala três idiomas fluentemente e veio aqui em busca do amor ou se você parou de estudar no ensino médio, tem dificuldades mesmo com a língua materna e veio aqui em busca de uma vida melhor. O preconceito, a rigidez, a falta de compreensão – e de interesse – machuca da mesma maneira. Pense nisso da próxima vez em que for interagir com alguém que não conheça. Tenha respeito. Este é o mínimo que esta pessoa merece de você e o mínimo que você deve a si mesmo é não fazer papel de idiota.

Nossa, que desabafo, hein? Me contem o que acharam dessas frases?

Se você mora (ou já morou) no exterior, ouviu coisas semelhantes? Como lidou com isso?

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Como tirar o visto francês para estudantes #1

Este é um tema que ainda gera muitas dúvidas em quem está se preparando para vir para a França como estudante. São várias etapas, papeladas e taxas que devem ser previstas. O meu processo durou quatro meses. Consegui o documento na primeira tentativa e aqui dou dicas para você conseguir o seu também.

Informações iniciais básicas

O pedido de visto de estudante tem uma etapa pré-consular (composição de dossiê + entrevista) feita pelo Campus France. Apenas com a validação desta instituição é que é possível dar continuidade ao processo junto ao Consulado Francês no Brasil.

Em primeiro lugar, tenha paciência. As coisas não vão ser tão rápidas quanto você gostaria e você não vai entender o motivo de ter que fazer várias delas. Faça-as mesmo assim. Afinal você quer entrar em outro país e deve seguir as regras dele. Tenha organização. Como eu disse, são meses até ter o visto em mãos. Então é imperativo separar os documentos (sempre originais e cópias) da “baguncinha” do dia a dia e prestar muita atenção aos prazos.

Vamos começar?

Tenha certeza de que o seu projeto de estudos aqui é compatível com o seu perfil profissional. Quero dizer, eles estranharão um engenheiro que quer fazer um curso de gastronomia em Paris. Pode ser o caso. Então certifique-se de que os argumentos são coerentes e sustentáveis. Por exemplo, na época eu já era formada em Jornalismo e gostaria de aprender um novo idioma pois já falava inglês e espanhol. Depois de estudar francês, tinha também interesse em outro curso da área de Letras da Universidade de Nantes. Pesquisei e guardei as informações para apresentá-las na entrevista com o Campus France (etapa que será explicada no post #2).

A candidatura nos estabelecimentos de ensino pode ser feita com a ajuda do Campus France (mais informações aqui) ou por conta própria (meu caso). O primeiro critério para os estudantes é de que o curso (de idioma ou de outra área) tenha carga horária total mínima de 20 horas semanais. Lembrando que o início do ano letivo aqui é no mês de agosto.

bonjour

Estude para aprender francês

Recomendo ter pelo menos o nível básico de francês antes de pedir o visto. Sim, mesmo que você esteja indo para aprender o idioma. Isto vai te ajudar a entender melhor os papéis e o processo como um todo. E aconselho ainda que invista em um curso da Aliança Francesa ou de uma escola conveniada. Não é exigência, mas é bem visto. Porém eu fiz no CNA e não tive problemas além de uma “puxadinha de orelha”.

Pesquise se há um tradutor juramentado perto de onde mora. Você vai precisar deste tipo de serviço ao se candidatar a uma vaga em uma escola francesa. Lembrando que todos os documentos administrativos brasileiros também devem ser traduzidos. Dica: venha com pelo menos uma segunda via da certidão de nascimento atualizada e a respectiva tradução. Verifique se o tradutor é devidamente registrado e habilitado para tal função. No estado de São Paulo, por exemplo, a Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) disponibilizada uma lista de profissionais e os preços são tabelados.

Confira a página inicial do guia aqui e veja quais serão os próximos assuntos abordados. Ficou alguma dúvida ou tem uma sugestão de conteúdo? Entre em contato.

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