Fotógrafa apresenta Pequeno Príncipe brasileiro à França

Inspirada pelo passado do autor francês Antoine de Saint-Exupéry envolvendo o Brasil, a fotógrafa Mari Merlin produziu um ensaio que mostra uma versão brasileira de um dos personagens mais famosos da literatura mundial. Um Pequeno Príncipe brasileiro e negro, encarnado pelo pequeno Artur. As fotos já viajaram pela (nova) terra natal e a partir a partir do dia 18 desde mês partem em conquista de suas origens no Velho Continente.

Mari vai expor seu trabalho na França (em Paris, Saint-Maurice-de-Reméns e Toulouse) e conta para o Madame Brasil a sensação de deixar sua marca inclusive no castelo de Saint-Maurice-de-Reméns (na região de Lyon), onde o autor cresceu. Leia a entrevista e não deixe de prestigiar a nossa conterrânea se tiver a oportunidade!

Madame Brasil: Como surgiu a ideia deste projeto fotográfico?

Mari Merlin: Em um cenário desértico, um menino descobre o mundo e percebe a imensidão de sua infância. Esse é o mote do ensaio fotográfico que repercutiu de forma surpreendente nas redes sociais brasileiras, em 2015. Pensei nesta cena enquanto passava pelas dunas de Florianópolis, logo após me mudar para a cidade, em 2015. Imaginei as cenas de “O Pequeno Príncipe” acontecendo naquele lugar. Foi quando descobri a relação do próprio autor Saint-Exupéry com aquele local, e decidi produzir um ensaio que falasse sobre infância, liberdade e representatividade.

Madame Brasil: Como foi processo do casting?

Mari Merlin: Nós fizemos um processo de seleção do modelo pelas redes sociais, buscando por alguém que tivesse o carisma e a atitude do principezinho de Saint-Exupéry. Curiosidade, vontade de aventura e pró-atividade eram características que buscávamos. Além disso, queríamos uma criança que representasse o Brasil e nossa diversidade. Apesar de estarmos acostumados a ver a figura de um pequeno príncipe branco, loiro, imaginei que poderíamos representá-lo com o olhar de nossa cultura.

Era importante para o nosso projeto que as crianças brasileiras pudessem se identificar com o personagem. Ele precisava ser mais semelhante conosco, com nossas origens. Precisava ser parte de nossa história. Nós somos uma cultura miscigenada, temos, principalmente, origens africanas. Então, nosso pequeno príncipe não é branco. Ele é negro. Fui então apresentada ao Artur que, desde o início, se mostrou uma criança iluminada e entusiasmada com a ideia.

Madame Brasil: O Artur conhecia a história?

Mari Merlin: O mais interessante foi saber que sua mãe, Katia, lia o livro “O Pequeno Príncipe” para ele, desde a gravidez. E ele próprio conhecia a história muito bem. Por isso encarnou sua versão do personagem, imaginando seus passos.

Madame Brasil: Por que as fotos foram feitas em Florianópolis?

Mari Merlin: Pouca gente sabe, mas o autor de “O Pequeno Príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry, além de escritor também era piloto. Quando pilotava para a companhia de correios aérea francesa Aeropostale, uma de suas escalas passava por Florianópolis. Na Ilha de Santa Catarina, sua passagem se tornou memorável e o piloto-autor ficou conhecido como “Zeperri”, nome abrasileirado que lhe deram os nativos de então, pela difícil pronúncia de Saint-Exupéry. As imagens sugerem ao espectador os passos imaginários do autor pelas dunas de Florianópolis.

Madame Brasil: Como surgiu o convite para expor o trabalho na França?

Mari Merlin: Monica Cristina Corrêa, tradutora do autor Saint-Exupéry no Brasil, encontrou nosso trabalho e fez o convite para fazermos nossa primeira exposição juntamente com o lançamento da nova edição do livro “O Pequeno Príncipe”, em 2015. A partir daí, começamos fazer exposições no Brasil, até que espaços franceses foram cativados pelo projeto e se mostraram interessados em exibir o projeto. Isso fala muito sobre a universalidade da obra de Saint-Exupéry e a relação de amizade França-Brasil.

Madame Brasil: Qual o sentimento de apresentá-lo na terra natal do autor?

Mari Merlin: Começaremos a exposição no dia 18 de março, em Paris, no Institut Culturel Franco Brésilien Alter Brasilis. Na Páscoa, no dia 15 de abril, levaremos a expo para Saint-Maurice-de-Reméns, no castelo onde o autor cresceu. No dia 18 de abril, iremos para Toulouse (*ainda sem mais informações).

Expor esse ensaio no castelo de infância de Saint-Exupéry é o auge da significação desse projeto. Fico muito feliz em ver que o projeto tornou-se algo mais profundo, mais sólido. Ele fala de representatividade na infância e da universalidade da obra do autor. Poder levar a exposição para a terra natal dele me faz sentir parte da obra dele, de sua vida. Como se eu pudesse usufruir de sua herança. Não uma herança material, mas todo um legado de vida que é muito inspirador.

Madame Brasil: Qual a expectativa para a resposta dos franceses?

Mari Merlin: Acredito que poucos franceses conhecem essa parte da história de Antoine de Saint-Exupéry e sua relação com o Brasil. Poderemos difundir esse conhecimento através da exposição fotográfica e expressar nossa admiração e respeito pelo autor francês. Ele teve um contato memorável com as terras brasileiras, e os frutos disso permanecem até hoje. Não é coincidência, por exemplo, que uma das principais avenidas de Florianópolis, no bairro do Campeche (onde os pilotos faziam pouso) se chama Avenida Pequeno Príncipe, em homenagem ao autor.

Não é incrível?

A Mari começa a tour na França na semana que vem. Uma campanha de financiamento coletivo no Brasil conseguiu bancar a produção de telas, flyers e a logística entre as cidades que receberão a exposição (Paris, Saint-Maurice-de-Reméns e Toulouse). Mas ela e sua sócia ainda procuram por apoiadores e patrocinadores para custear o restante do projeto. Durante sua estada por aqui ela inclusive propõe permuta de hospedagem por ensaio fotográfico ou preços promocionais. Acha que pode ajudar esse projeto super bacana? Então entre em contato pelo endereço: mari.merlim@gmail.com. Para conhecer ainda mais do lindo trabalho da Mari, acesse este link.

Vocês conheciam essa relação do autor com o Brasil? Me contem nos comentários o que acharam da versão brasileirinha do Pequeno Príncipe!

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Vlog: visitando o Château de Goulaine

No último fim de semana (17 e 18 de setembro) foram os Dias Europeus do Patrimônio. Durante o evento, monumentos históricos e batimentos públicos ficam abertos aos curiosos com tarifas especiais ou até gratuitas. Além disso, alguns locais que normalmente não são acessíveis podem ser visitados. Aqui em casa resolvemos aproveitar a ocasião para conferir o Château de Goulaine, que fica há menos de meia hora de Nantes.

O castelo foi construído entre 1500 (!) e 1510. A arquitetura apresenta as características do fim do estilo Gótico e do começo do Renascimento. A família Goulaine está presente no território desde o século XII e foi essencial na mediação de conflitos entre a Inglaterra e a França. O domínio foi restaurado no século XX e aberto ao público em 1981. Quer ver como ele é por dentro? É só dar play!

Château de Goulaine

44115 Haute-Goulaine

Horários de visita:

De 26 de março a 26 de junho: 14h-18h30.

De 1 de julho a 31 de agosto: 10h45-19h.

De 3 de setembro a 13 de novembro: 14h-18h30.

Tarifas:

Adultos: 9€

Crianças de 4 a 16 anos: 5,50€

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Você sabe quem foi Anne de Bretagne?

Quem vem a Nantes não consegue escapar de um nome: Anne de Bretagne. Mas quem foi ela? Enquanto outros nomes da história francesa são bem mais familiares, como Maria Antonietta e Napoleão Bonaparte, Anne de Bretagne soa como uma desconhecida para muita gente. Pois se você nunca ouviu falar dela, que tal conhecer um pouquinho sobre esta duquesa que foi rainha da França duas vezes?

Anne nasceu aqui mesmo em Nantes e cresceu na torre do Castelo dos Ducs de Bretagne (Duques da Bretanha, em português). Naquela época, a região da Bretanha era independente e não fazia parte do reino francês. Pequeno adendo de atualidade: hoje ainda há pessoas que querem a separação do território e alguns brigam porque Nantes não faz mais parte da região da Bretanha no mapa atual.

Voltando a Anne, ela era tida como uma perfeita princesa desde a infância, comportada e inteligente. Fisicamente, não tinha traços remarcáveis, mas é descrita como tendo “charme e ar de nobreza e bondade”. Aos quatro anos de idade sua mão já estava prometida ao herdeiro da coroa inglesa em troca da proteção do exército estrangeiro contra as tropas francesas, que tentava unificar o território. Por conta disso, Anne acaba virando “moeda de troca” para evitar a dominação francesa.

A entrada do Castelo dos Duques da Bretanha, em Nantes.
A entrada do Castelo dos Duques da Bretanha, em Nantes.

Ela se casa, mas tem a união cancelada pois ela não havia sido consumada (o marido nem compareceu ao casamento e mandou um representante). Logo depois ela se casa novamente com o sanguinário Charles VII da França, para evitar o massacre de seu povo, que estava prestes a ser invadido pelo exército do rei. Ela tinha 14 anos. Anne tem quatro filhos com Charles VII e todos morrem ainda bebês. Depois de sete anos, ela vira viúva.

A duquesa aproveita a liberdade para reinstalar os direitos de seu ducado e finalmente consegue a retirada das tropas francesas do local. Um ano depois, em 1499, ela se casa com o novo rei da França, Louis XII (esse apareceu!) no próprio castelo nantais. Desta união nasceram três crianças e uma delas morreu.

Enquanto seus dois maridos faziam a guerra na Itália, ela encorajava o estudo das letras e das artes. Ela finalmente morreu jovem, aos 37 anos. Anne é tida na história como uma rainha “admirável” e seus sacrifícios pela terra natal são honrados até hoje.

Fontes: Anne de Bretagne 2014 e Histoire pour tous.

Foi uma personagem incrível, não é? Me contem nos comentários o que acharam da história da Anne de Bretagne. Vocês já a conheciam?

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