Casamento: o depois

Nem acredito que já estou escrevendo este post, que o último ano de planejamento e expectativas já ficou para trás. Tenho outra aliança no dedo, mas ainda estamos naquela fase de dar risadinhas quando ele me chama de “esposa” e eu o chamo de “marido”. Agora que estamos sozinhos e de volta ao nosso lar, é engraçado observar que nada e tudo mudou ao mesmo tempo. Ainda fazemos as mesmas coisas, mas a nossa reação mudou. É sutil, é breve, mas está lá em um sorriso mais profundo ou em um olhar que dura mais tempo. Talvez a volta à rotina apague um pouco disso. Talvez não.

Sei apenas que quando olho para trás, tenho orgulho do que fizemos juntos. Somos um casal mais unido agora do que antes do casamento. Organizamos tudo sozinhos e tivemos que lidar com diferenças de opinião, imprevistos, orçamentos e planejamentos que envolvem esse tipo de evento. Não foi fácil. Mas por termos cuidado de cada detalhe, eles ganharam mais importância. Lidamos com profissionais mais e menos competentes, tivemos momentos mais e menos felizes, mas o importante é que nem por um segundo o nosso sentimento e a nossa intenção de estar ali deixou de estar presente.

Conseguimos atingir o nosso maior objetivo: a cerimônia do nosso casamento foi um reflexo da nossa relação. Somos dois indivíduos de culturas diferentes que encontraram um meio comum para vivermos juntos e caminharmos um ao lado do outro. Estarmos rodeados por pessoas que amamos foi essencial. Temos uma gratidão imensa por cada um que foi ao nosso encontro, especialmente por aqueles que tiveram que fazer um longo (e caro) trajeto. À todos vocês o nosso muito obrigado!

Agora uma nova fase está prestes a começar. Uma mudança nos aguarda e com ela toda a expectativa de uma melhor qualidade de vida e novas realizações. Não temos como saber o que o futuro nos reserva, mas tenho certeza de que estamos prontos para encará-lo juntos.

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Casamento: o antes

Estou escrevendo isso do meu sofá, mas quando vocês puderem ler este post já vou estar praticamente na véspera do meu casamento. Não sei como irei me sentir, mas queria compartilhar com vocês algumas expectativas, pensamentos e sentimentos que tenho agora, há uma semana do “grande dia”.

Não sei nem se gosto desta expressão, tipo “o dia mais feliz da vida”. Isso quer dizer que o casamento é o ápice da felicidade? Não… A vida pode ter vários momentos de alegria, manifestados de formas e em situações diferentes. Não quero que o casamento seja o dia mais feliz da minha vida, mas sim mais um de uma lista bem longa.

Sei que quem veio do Brasil fez um sacrifício enorme para estar ao meu lado. Não sei se no dia conseguirei expressar toda a minha gratidão, mas saibam que a presença de cada um me enche de amor – por mais piegas que isso possa soar. Aqueles que realmente não conseguiram fazer a viagem (por diversos motivos), estarão em meu coração. Já daqueles que nem se deram ao trabalho de reagir ao convite, não carrego ressentimentos. Não faz bem para mim e afinal, cada um sabe o que faz.

Sou daquelas que sofre por antecedência e já estou com medo de tudo acontecer rápido demais. Vou me esforçar para gravar este dia na memória e deixar os sentimentos irem e virem, sem esconder nem forçar nada. Quero beijos com vontade e abraços demorados. Quero olhos nos olhos e sorrisos espelhados. Quero resolver o que der para ser resolvido e ignorar eventuais amarguras.

Trabalhamos duro para que este casamento seja um reflexo da nossa relação. Não estamos casando porque é tradição ou porque é o que esperam de nós (se é que esperavam isso da nossa história maluca kkk). Estamos casando porque queremos assumir este compromisso um com o outro e compartilhar-lo com aqueles que amamos.

Estou ansiosa por vários momentos, mas no topo da lista está aquela primeira troca de olhar entre o noivo e a noiva… Mas vou parar por aqui, senão vou dar a impressão de que tenho sonhado com isso ou algo do tipo!

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Quando eu disse “sim” ao vestido de noiva

Talvez vocês ainda não saibam, mas vou me casar daqui praticamente um mês e hoje queria compartilhar como foi a compra do meu vestido de noiva. Não sou daquelas que sempre sonhou em casar e que já tinha tudo planejado. Mas quando estava no Brasil – e ainda nem tinha noivo – um dos meus programas favoritos era “Say yes to the dress” (O Vestido Ideal). Assistia a vários episódios seguidos com a minha mãe e comentávamos que talvez um dia faríamos a mesma coisa. Honestamente, eu não acreditava muito nisso.

Até que aconteceu.

Vou tentar resumir: ficamos noivos há dois anos, antes de viajarmos para o Brasil. Era muito recente e ainda não sabíamos onde nem como seria a cerimônia, muito menos de onde viria o tal vestido. Porém queria muito viver a experiência de provar um vestido de noiva com a minha mãe, mesmo sabendo que talvez acabaria comprando um sozinha aqui na França.

Fomos à uma loja da minha cidade e inventamos uma história para justificar o motivo de estarmos lá, já que não tínhamos nem a data do casamento! Acabei provando um vestido que nos fez chorar. Choramos porque ficou bonito, porque era muito cedo para comprá-lo, porque eles colocaram a música que eu disse que queria que tocasse na minha entrada e porque havíamos mentido e ficamos com vergonha. Contamos toda a situação para a equipe da loja, que foi extremamente atenciosa e entendeu a situação.

Agora é de verdade

Em julho de 2015 voltei para visitar família e amigos. Desta vez, já tínhamos a data e o lugar do casamento. Resolvi que não iria procurar o vestido sem a minha mãe e que iria encarar a dificuldade de, caso o encontrasse, trazê-lo na mala. Fomos à outras lojas onde nada deu certo e depois voltamos à Casa Noiva porque os vestidos eram lindos e a equipe um amor! Além disso, eles já faziam parte da minha história.

Não comprei nenhuma revista de noiva. Fiz apenas uma pasta no Pinterest com inspirações. Sou uma pessoa bem objetiva, sei o que eu quero e ainda mais o que eu não quero. Com o vestido não foi muito diferente. A conclusão era que queria algo sem brilho, sem aplicação, sem volume e etc, mas ainda queria deixar claro que eu era a noiva daquele casamento. Tipo, se alguém mudasse a cor da roupa de branco para azul, por exemplo, ainda seria um vestido de noiva. Provei uns 10 e todos correspondiam aos meus critérios, com a exceção de um: deixar claro quem é a noiva daquele casamento. Não me entendam mal, eram vestidos maravilhosos, mas faltava aquele… encanto.

Até que chegou o veredito: “Ju, não temos mais opções do modelo que você quer dentro do seu orçamento. Mas tem um vestido naquela sala que está olhando para mim e eu olhando para ele. É bem diferente do que você pediu. Posso trazê-lo?” Naquela altura do campeonato eu já estava cansada, confusa e desacreditada. Porém, apesar de ser consciente dos meus gostos, não sou muito rígida. Por que não provar algo fora do que eu tinha planejado? “Pode trazer!”

Eu fiquei meio sem reação, porque realmente não era com aquilo que tinha me imaginado, mas parecia que uma luz tinha sido acesa naquele quarto. Aí alguém resolveu colocar um véu em mim. E eu chorei. Minha mãe também chorou. Naquele momento realizei que estava comprando um vestido para me casar.

Não precisamos nem fazer a barra! A única alteração foi no busto.

Fizemos um milagre para colocá-lo em minha mala. Fiz escala em Lisboa e quando finalmente chego em Nantes, descubro que metade das bagagens ficou em Portugal porque não tinha espaço no avião. Graças ao bom Deus a mala que veio comigo era a que tinha o vestido! Imaginem o “piripaque” que eu teria tido.

Hoje, o vestido está em um armário (trancado) na casa da minha sogra. Todas as vezes que passo em frente a uma loja de vestidos ou que vejo algo na internet, fico na dúvida entre olhar e não olhar por medo de encontrar um de que eu goste mais. Mas quer saber? Todas as vezes eu acabo olhando e preferindo o meu. Não vejo a hora de poder mostrá-lo para todo mundo!

De verdade, sempre achei que o “mito” do vestido de noiva fosse exagerado. Mas ao passar por esta experiência, descobri que ele é especial, sim. Não acho que o choro signifique que aquele seja o vestido ideal. Cada pessoa reage de um jeito e deve permitir-se sentir a emoção da forma que lhe parecer o mais sincera possível. Aprendi com isso que é impossível dizer que uma noiva está “feia”. Talvez nada seja do seu gosto, mas para ela aquilo é tão pessoal e sensível. Criticar baseando-se em nosso gosto é egoísta, pois não estamos considerando o sentimento de quem realmente importa naquele dia.

Ufa! Chegaram até aqui? Hahaha

O que acharam desta experiência? Me contem nos comentários se conseguiram imaginar o meu vestido! Me digam também se têm outra curiosidade em relação ao casamento ou ao relacionamento de duas pessoas de nacionalidades e culturas diferentes.

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