Esta primeira foto é uma das minhas favoritas de todas as viagens que eu já fiz. Isso porque o castelo de Versailles é, por enquanto, o meu lugar favorito na França e porque de uma maneira muito especial ele agora faz parte da minha história. Poder registrar uma parte tão emblemática dele como a “Galerie des Glaces” (a Galeria dos Espelhos) sem turistas “penetras” (aspas porque eles têm tanto direito de estar lá como eu) é uma lembrança muito querida. Mas como é que consegui isso, sendo que normalmente este lugar está sempre lotado?

Tudo começa com um pouco de contexto. Esta primeira foto foi na verdade feita na segunda vez em que eu visitei o castelo. A primeira foi em janeiro de 2014, durante o inverno e quando os jardins estão secos e as estátuas cobertas. A consequência é que valia a pena passar mais tempo lá dentro do que do lado de fora. Então aproveitamos a maior parte do dia para absorver cada detalhe dos (muitos) aposentos reais. Avançando no tempo para julho do mesmo ano. Já que era verão, as plantas estavam verdinhas, as fontes ligadas e até áreas normalmente fechadas do domínio podiam ser visitadas. Com a motivação extra de que a fila para entrar no castelo estava enorme, fomos diretamente para os jardins. Em certo momento do passeio, fui pedida em casamento. Muita emoção e uma refeição depois, continuamos a explorar o espaço externo.

A primeira vez na “Galerie des Glaces”, em janeiro de 2014 (baixa temporada).

A intenção no fim das contas nem era visitar o palácio, mas quando olhamos no relógio, pensamos que ainda tínhamos tempo. Na alta temporada ele fica aberto até às 18h30. Só que esquecemos que a entrada só é permitida até às 18h. No portão de entrada (do domínio, não do palácio) o segurança nos avisou “vocês têm três minutos para tentar conseguir entrar”. E aí saímos correndo feito dois desnorteados para tentar ter este último gostinho de Versailles antes de ir embora e viramos motivo de risada das pessoas que trabalham lá.

Quem já foi sabe da imensidão do lugar, então com apenas meia hora não dá para ficar reparando na tapeçaria ou nos vasos de época. Passávamos super rápido por cada cômodo, cruzando poucas pessoas. Até que passamos pelo quarto de Louis XIV e o meu “recém noivo” falou rindo “Nós acabamos de passar correndo pelo quarto do rei. Isso não é normal. As pessoas passavam por cima uma das outras só para conseguir pisar aqui”. Foi um momento bem curioso, mas o impacto disso tudo foi quando entramos na belíssima “Galerie des Glaces” praticamente vazia. Não vou conseguir explicar a minha emoção, mas tendo em vista o contexto, vocês podem imaginar.

Então consegui “visitar” (ou correr pelos corredores) o castelo de Versailles – quase – sozinha porque entrei, literalmente, na última hora. Ver este lugar praticamente vazio é privilégio de poucos (até naquela época!) e valeu super a pena. Claramente não indico isso para quem vai visitá-lo pela primeira vez. Versailles demanda e merece muito tempo. Mas se você quer ter um gostinho de realeza, pode ser a sua chance.