Sophia Amoruso é uma empresária norte-americana que, em 2006, fundou a marca Nasty Gal. A loja online de roupas vintage começou no eBay e depois evolui para o domínio próprio. Oito anos depois, a empresa estava avaliada em mais de 100 milhões de dólares. Duas lojas físicas foram abertas na Califórnia e o conceito foi se adaptando às demandas do mercado. No ano passado, a Nasty Gal faliu e foi revendida (por 20 milhões de dólares). A história de ascensão de Amoruso no mundo da moda virou uma autobiografia (#Girlboss, lançada em 2014) e inspirou a série de mesmo título do Netflix, produzida pela própria empresária e lançada no dia 21 de Abril.

50 páginas em 13 episódios

Além da trajetória de negócios, Amoruso narra no livro – e mostra em fotos – o seu passado, longe de qualquer glamour. Ela tinha 22 anos quando começou a vender roupas usadas online. Antes disso, não conseguia segurar um emprego, colecionava uma longa série de infrações e até foi pega por roubo, mas escapou da cadeia. Isso apenas três anos antes de criar a Nasty Gal. Nos 13 episódios da primeira temporada, a história de Sophia só é narrada até o lançamento do e-commerce próprio da marca. Isso resume, em grosso modo, as primeiras 50 páginas do livro, que tem no total 239 (na versão original em inglês).

#Girlboss 👩🏻‍💻🕶 A legenda honesta dessa foto seria “faço essa panqueca todo dia, mas hoje ela ficou bonita”.

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Amiga imaginária

A primeira imagem de cada episódio é um aviso de que a série é “vagamente baseada em fatos reais” – “bem vagamente”. Esta é a sensação para quem leu o livro. A “moral” da história é a mesma, mas todas as liberdades narrativas possíveis foram tomadas. A melhor amiga Annie não existe e elas não se conheceram na cadeia depois de um jogo de baseball. Como ela não existe, não foi Annie que defendeu Sophia contra os outros vendedores no eBay. Foi uma cliente, ela também vendedora, que tinha de fato comprado algo e ficado satisfeita. Ela também não conta sobre querer ir a todo custo para o Coachella. O drama da lavanderia que estragou o vestido de noiva não foi bem daquele jeito. Eles na verdade perderam um botão de uma jaqueta Chanel. Também não me lembro de ter lido sobre alguém que possa ter inspirado o personagem de Shane, o namorado da Sophia na série.

A impressão que fica é que o roteiro foi trabalhado ao máximo para deixar a história mais leve,  atual e “cool”, assim como a personalidade de Sophia. A personagem tem uma atitude “zero fucks given”, egoísta e oportunista. No livro, ela é mais madura, porém menos tolerante e ainda mais arrogante, mesmo ao detalhar seus (muitos) erros rebeldes do passado. Para alguns, isso pode ser totalmente justificado por ela estar lutando sozinha por um sonho, por um objetivo de vida.

Vale a pena assistir e/ou ler?

Eu gosto de personagens femininas fortes e acho ainda melhor quando elas têm características de anti-heroínas. Adoro o termo #girlboss e apoio qualquer história de sucesso feminino; acho inspirador.

Tendo dito isso, lembro que quando terminei o livro, fiquei um pouco desapontada porque esperava mais um “manual de como criar o próprio negócio” do que uma autobiografia com algumas dicas esparsas do mercado de trabalho. E quando terminei a série, fiquei um pouco desapontada porque esperava assistir à história da Sophia Amoruso e não uma versão resumida e mais romântica dela. Então acho que se você não esperar grande coisa de nenhum dos dois, vale a pena ver e ler para dar um boost no seu #girlpower.

Já terminou a maratona de Girlboss e/ou leu o livro? Me conte nos comentários o que achou!