5 perguntas que você precisa se fazer antes de decidir morar fora do Brasil

Viver no exterior é o sonho de muita gente. Porque parece que fora do nosso país as coisas dão mais certo. Porque poderíamos ter as coisas que no Real custam um absurdo. Porque temos a impressão de que pilantra só existe no nosso quintal. Porque não tem trabalho e nada dá certo. Ou não. É apenas vontade de apostar em algo novo. Uma tentativa de se virar sozinho, de se perder e de se lançar no desconhecido. Mudar de cultura, de mentalidade, de ares.

Seja qual for o motivo – e existem milhões -, sair do Brasil e ir morar fora é o objetivo de muitos. Também era o meu. Não estou falando sobre fazer uma viagem ou um intercâmbio. Este post é dedicado àqueles que querem empacotar tudo e comprar apenas uma passagem de ida.

Não peço para que se faça estas perguntas com o objetivo de te desencorajar e nem para te deixar com dúvidas ou mágoas. Quero apenas que você coloque estes pontos na balança. Quero te ajudar a decidir se partir ainda é a melhor opção. Considere isso como um conselho de amiga. Aquela amiga às vezes chata que fala algumas verdades que você não quer ouvir. Mas amiga mesmo, porque se no final você ainda responder “sim” ao sonho de ir embora, eu vou te apoiar 100%.

1- O que vou fazer lá?

As exigências variam de acordo com o país, mas fato é que caso queira entrar e ficar legalmente em outro território, você precisa seguir determinadas regras. Ok, você vai fazer um curso do idioma local. Mas e depois? Se pensa em arrumar um trabalho, considere que não é fácil as empresas se responsabilizarem por um estrangeiro. Já é difícil arrumar emprego quando você tem toda a documentação, imagine dependendo do empregador para obter os papéis.

A parte burocrática deve sim pesar muito na sua decisão caso ainda não tenha visto de residência, nacionalidade e etc. Considere também a orientação do governo do país onde pretende viver, pois a política mais rígida (nacionalista) – ou não – vai influenciar nas condições para obter documentos que lhe permitam ficar legalmente no país.

2- Tenho dinheiro o suficiente?

Viajar não é barato. Qualquer pessoa que já se aventurou sabe disso. Mudar para outro país – com o Real cada dia menos valorizado – é mais caro ainda. Você terá as mesmas despesas que tem no Brasil. Ok, talvez não tenha mais que manter o seu carro, mas vai ter que incluir na conta o transporte público. E não, você não vai aguentar comer lanche todos os dias pelo resto da sua vida.

O que eu quero dizer é: pagar as contas e cumprir compromissos é a mesma coisa em todos os lugares do mundo. Se você está com dificuldades para não ficar no vermelho no Brasil, como esta situação pode melhorar no exterior?

3- Sei ficar bem sozinho(a)?

Se ao chegar você for acolhido por amigos e/ou familiares, pode desconsiderar este questionamento. Mas se for se aventurar sozinho, você aguenta a solidão? Sabe se virar nos perrengues? Claro, nada te impede de ter um novo círculo de amizades no novo endereço. Mas a não ser que seja muito (muito) extrovertido e der muita (muita) sorte, isso leva um tempo. Até lá, tudo bem abraçar só o travesseiro quando quiser chorar?

Não estou sendo pessimista, não quero que você chore. Mas você vai passar por tantas mudanças… Se tudo for 100% maravilha para você, então por favor entre em contato e me ensine! E não falo deste tópico só pela tristeza. Alegria compartilhada é mais gostosa. O Skype, as fotos no Facebook e os snaps são o suficiente para você? Tudo bem não ter ninguém com você no dia do seu aniversário, no Natal ou você perder o Dia das Mães e o primeiro aniversário do seu sobrinho? Se prepare também porque aquelas pessoas queridas que ficaram no Brasil vão seguir a vida sem você. 

4- Conheço a cultura do lugar onde pretendo ir?

Esqueça os clichés dos filmes ou o que você acha que já sabe. Você conhece realmente a cultura, as tradições e as regras sociais do lugar onde quer morar? Pode ser algo menos grave, que não vai te prejudicar, tipo saber que aqui na França a gente não dá beijinho no cabeleireiro. Só aprendi isso na prática e passei vergonha, mas acabou por aí. Pode ser também saber que a sua maneira de se vestir deve mudar, ou que você não pode manifestar afeto na rua. Em alguns lugares a penalidade pode ser mais grave do que simples bochechas coradas. Pesquise, pergunte e se informe.

5- Estou preparado(a) para fazer sacrifícios?

Cresci ouvindo dos meus pais que a vida é difícil. Achava que isso era só pessimismo deles. Hoje, com um pouquinho mais de maturidade, já consigo ver que é um fato. Para alcançar objetivos é preciso fazer sacrifícios. Os outros verão o que você conquistou e vão ignorar a luta, mas você saberá. Enfim, isso acontece no mundo todo. Entende? Não é saindo do país que a sua vida vai ficar mais simples.

E aí podem vir também os sacrifícios mais práticos. Por exemplo: talvez no Brasil você tenha uma ajuda na hora da faxina ou na lavanderia. Lá fora (a não ser que você tenha dinheiro, claro), fica muito mais caro ter este tipo de serviço. Ou seja? Mão na massa. A mordomia acaba quando você cresce e resolve bater asas. 

E aí, pensou? O que você quer fazer?

De novo: não quero desencorajar ninguém. Mas quero sim que você tome uma decisão consciente, pesando os positivos e os negativos. Claro que existe o lado bom. Só que este já está lá no Instagram para todo mundo ver.

Mora ou já morou no exterior e acha que deixei uma questão de fora? Comente! Vamos trocar experiências.</>

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37 Comments

  1. Super me identifiquei com seu post. Eu passei uma temporada fora, e levei bem quase todos os quesitos. Eu tinha um motivo pra estar lá, o trabalho que consegui pagava as contas, me virei bem com os “sacrifícios”, porque já morava sozinha nessa vibe aqui no Brasil. Chorei bastante com o travesseiro no começo, especialmente pelas diferenças culturais, mas acostumei depois. A barra pesou mesmo com a distância. Foi difícil ir perdendo a vida que seguia aqui no Brasil. Foi difícil não estar perto quando todo mundo por aqui precisava de mim. Foi difícil ficar por 30 horas entre escalas em aeroportos precisando chegar no Brasil com urgência. Essa parte foi barra. Daí eu voltei. Fiquei um tempo ainda querendo voltar pra lá (acho que parte de mim ainda quer um pouco). Mas por mais independente que eu seja, não consegui ficar sozinha e longe de tudo que acontecia com quem eu amava por aqui. Acho que vai de cada um, né? Por enquanto sigo por aqui 🙂

    http://www.fuiserviajante.com

    1. Com certeza cada um deve escolher o que é melhor para si, Klécia. Eu graças a Deus ainda não passei pela situação de ter que voltar para o Brasil com urgência, mas sei que a falta de saúde de alguém querido mexeria muito comigo.

    1. Se querem apenas visitar por um tempo, acho que não será um problema. Mas se querem se instalar no país, aí a história é outra… Boa sorte com o projeto!
      Beijos

  2. Boas dicas. Muitas vezes pensamos só na parte boa, no sonho de morar naquele pais maravilhoso que vemos nos filmes e esquecemos de ver o lado prático da coisa.
    Sobre demonstrações de afeto, para nós de países latinos é muito estranho ter que se conter. Uma vez no aeroporto de New Jersey, estava na esteira rolante e dei um selinho no meu marido, uma americana que estava atrás ficou indignada, mandou a gente procurar um quarto. Fiquei um pouco chocada pq não foi nada d mais, mas são características culturais, temos que nos policiar quando estamos em outro país.

    1. Cansei de ouvir “get a room” nos USA. E falando isso até parece que eu vivia me enroscando com alguém no meio da rua kkkk.
      Mas é, estando em outro país, precisamos encontrar o meio termo entre respeitar as “regras sociais” e conservar a nossa cultura e a nossa origem.

  3. Cara, seu post tá muito bom. Estou morando na Suíça desde julho, e mesmo mudando com marido, com suporte do emprego dele, é difícil pra caramba. Tem muito choro, a gente se questiona se fez a coisa certa o tempo todo. Todo mundo acha que a vida é linda fora do Brasil, que com inglês você se vira em qualquer lugar do mundo. Eu nunca tive essa ilusão, mas é muito mais difícil na prática, e quase ninguém se da conta. Estou cansada de reclamar de algo pra algum amigo do Brasil, e ouvir de volta “para de reclamar, você ta na Europa”. Sim, mas na Europa também tem problemas, tem solidão, tem um monte de coisa, né?

    1. SIM, Gabi! Tem um monte de coisa mesmo. Nossa, quando cheguei na França também achei que não teria problemas de adaptação porque falava inglês… que grande erro! Mas acredito – e preciso disso para continuar – que as dificuldades nos deixam mais forte e que tudo contribui para a nossa evolução. Beijos!

  4. Seu post tá muito bom e com certeza todos os tópicos são validos e necessarios em uma mudança assim. Eu moro na Irlanda e também escuto que porque estou aqui a vida é perfeita, o lado bom ta no instagram mesmo, mas e as noites chorando agarrada no travesseiro não ta la ne? haha
    Não é uma mudança fácil e exige muito preparo. Eu sonhei por muito tempo e não foi da noite pro dia que rolou. Tem que ser bem pensado e planejado, e mesmo assim os perrengues vão aparecer. Seja por solidao, as contas pra pagar, as diferenças culturais….

    1. As noites chorando pq não tem pastel ou caldo de cana na feira-domingo de manhã.
      Brincadeiras á parte, eu super me identifico com o post e a resposta da Taís.
      Vim pra Finlândia á passeio e acabou que tô morando aqui. Juntei grana pra essa viagem desde meus 15 anos e quando me perguntam o quanto eu trouxe, dizem que é absurdo tanta grana pra uma viagem ‘como essa’. O problema é que as pessoas querem fazer tudo nas ‘coxas’, vir com o mínimo de dinheiro necessário (não entra no caso do low budget) pra ver se os outros bancam ou querendo ficar ilegal. Nossa, como tenho recebido comentários desse tipo no meu video sobre como vim parar aqui.
      Trouxe dinheiro suficiente pra me sustentar por 8 meses e não passar sufoco, justamente pq planejei a viagem (não a parte que casaria e mudaria pra cá).
      E este é um post de utilidade pública! Parabéns!
      A Bela, não a Fera blog | A Bela, não a Fera Youtube | Converse comigo no Twitter!

      1. Obrigada, Bela! Também ouço e vejo muitos casos de pessoas que querem arriscar e ver no que vai dar. Cada um faz da vida o que quiser, mas é impossível dizer que isso dá certo 100% das vezes. É preciso muito planejamento e sacrifício para, quem sabe, as coisas saírem conforme imaginamos.

        PS: você esqueceu de mencionar as noites chorando porque não tem coxinha ou pão de queijo no bar da esquina! hahaha

    2. Exato, Taís. Acho que isso é algo que apenas quem mora/morou fora pode saber explicar e entender quem passa pela mesma situação.

  5. respondi todos e siim quero mudar! claro que já tomei bastante borduada na vida, principalmente na Nova Zelândia, onde nada nadaaa deu certo! mas foi só um teste pra saber como vai ser ano que vem, já aprendi uns macetes e dessa vez não vou sozinha!

  6. Muito boas as perguntas. Acho que, principalmente em momentos de crise como agora, é muito fácil a gente reclamar do Brasil e achar que tudo é perfeito nos outros países. Todo lugar tem coisas boas e muita coisa pra melhorar, não tem lugar perfeito. Tem lugares muito mais baratos, outros com melhor qualidade de vida…
    Acho que o maior problema (ou a solução) está na gente mesmo. As vezes estamos insatisfeitos com alguma coisa e “fugimos”, mas se o problema está na gente, tudo vai continuar na mesma enquanto não mudarmos, seja aqui ou do outro lado do mundo.

    1. Patricia, se eu pudesse, colocaria o seu comentário em destaque com cinco estrelas. É exatamente esta a mensagem que eu gostaria de passar!

  7. Não estou preparada realmente! Sonho todo mundo tem, decepções também, mas largar tudo aqui (apesar de não ser fácil viver atualmente no Brasil) ainda não dá pra mim! Disse não para todas as perguntas, pois apesar de querer conhecer tudo, ainda gosto de ter o meu cantinho aqui pra voltar.
    O seu post está incrível!
    Beijos.

    1. Obrigada, Paula! Acho super válido querer visitar o mundo inteiro mas ainda ter essa necessidade de um “porto seguro”, onde quer que ele seja. Agora eu tenho dois (no Brasil e aqui na França), mas com certeza não não sou desapegada (?) o suficiente para largar tudo e ir “pulando” de lugar em lugar. Beijos!

  8. Já morei fora durante 2 anos, e até hoje não me adaptei com o regresso no Brasil. Já estou pronta para me mudar daqui rs, só esperando concluir a parte burocrática que como mencionou, essas perguntas ai são uma peça chave. Respondi sim para quase todas, exceto a que se refere ao dinheiro rs, por isso que não sai daqui ainda. Sobre o beijinho no rosto do cabeleireiro, também não tenho este costume, apesar de ser brasileira, não sou muito de abraçar e ter contato com pessoas que não tenho muita afinidade. Confesso que desde que voltei do meu intercâmbio ainda me incomoda quando um amigo dá o beijinho no rosto. Enfim, o que disse sobre conhecer a cultura local é de fato muito importante antes de escolher sair do Brasil.Seu post ficou ótimo 🙂

    Abraços

    1. Também não sou uma pessoa que curte desconhecidos tocando em mim, mas aqui é um pouco demais até para mim. kkkk Acredito que se voltasse para o Brasil, teria dificuldades de me adaptar. Durante as férias me peguei questionando situações que, antes de partir, eram consideradas totalmente normais. Por isso prefiro dizer que sou uma “cidadã mundial”! Boa sorte no seu projeto e no próximo destino!

  9. ótimo post Ju, só quem mora fora pra saber os perrengues e também as coisas boas que acontecem, eu sempre tento mostrar o lado positivo pra quem me pergunta como é morar fora, mas também sou realista e falo da parte chata e burocrática, a pior parte pra mim é a falta de sol o ano inteiro, e é claro a saudade da minha mãe e da minha irmã gêmea, o restante eu tiro de letra! E sendo clichê, deve ser massa morar na França

    1. O que eu mais tento passar para as pessoas é que mudar para o exterior não é sinônimo de ter ganhado na loteria e/ou de ter vida fácil. Cansei de ouvir isso. kkk E realmente, o sol faz muita falta. É um dos motivos de nós termos nos mudado de Nantes – chove DEMAIS lá – para o sul do país. A França é linda e cheia de diversidade.

  10. Eu e meu namorado estamos querendo ir morar fora, principalmente ele, porque o mercado de jogos é muito ruim aqui (ele é programador de jogos). Estamos só esperando o blog dar uma renda maior!! Mas sem dúvida é algo que requer muito pesquisa antes.

    Beijos, Love is Colorful

  11. Post maravilhoso, franco e verdadeiro!
    Realmente é isso, mudando do seu país você vai ganhar muito e perder muito.O importante é que quem vai ou fica, se empenhe em fazer o melhor para ser feliz, porque é isso que todo mundo procura,seja qual for o caminho que escolheu. Beijo.

  12. Eu achei o post incrível e entender a sua proposta com ele é questão de maturidade. Você foi super direta e consciente ao escrever. É muito importante que as pessoas entendam as possíveis dificuldades que irão enfrentar, não é só “estou indo morar fora que sonho maravilhoso”, sempre pensei nas dificuldades e tive curiosidade.
    O seu texto não me desencorajou me ir para fora do país, quem nunca sonhou com um intercâmbiozinho? Seu texto vai muito mais além e não me desencorajou nem um pouco, ele é real.
    Adorei!

    http://www.ultimobiscoito.com

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