Viver no exterior é o sonho de muita gente. Porque parece que fora do nosso país as coisas dão mais certo. Porque poderíamos ter as coisas que no Real custam um absurdo. Porque temos a impressão de que pilantra só existe no nosso quintal. Porque não tem trabalho e nada dá certo. Ou não. É apenas vontade de apostar em algo novo. Uma tentativa de se virar sozinho, de se perder e de se lançar no desconhecido. Mudar de cultura, de mentalidade, de ares.

Seja qual for o motivo – e existem milhões -, sair do Brasil e ir morar fora é o objetivo de muitos. Também era o meu. Não estou falando sobre fazer uma viagem ou um intercâmbio. Este post é dedicado àqueles que querem empacotar tudo e comprar apenas uma passagem de ida.

Não peço para que se faça estas perguntas com o objetivo de te desencorajar e nem para te deixar com dúvidas ou mágoas. Quero apenas que você coloque estes pontos na balança. Quero te ajudar a decidir se partir ainda é a melhor opção. Considere isso como um conselho de amiga. Aquela amiga às vezes chata que fala algumas verdades que você não quer ouvir. Mas amiga mesmo, porque se no final você ainda responder “sim” ao sonho de ir embora, eu vou te apoiar 100%.

1- O que vou fazer lá?

As exigências variam de acordo com o país, mas fato é que caso queira entrar e ficar legalmente em outro território, você precisa seguir determinadas regras. Ok, você vai fazer um curso do idioma local. Mas e depois? Se pensa em arrumar um trabalho, considere que não é fácil as empresas se responsabilizarem por um estrangeiro. Já é difícil arrumar emprego quando você tem toda a documentação, imagine dependendo do empregador para obter os papéis.

A parte burocrática deve sim pesar muito na sua decisão caso ainda não tenha visto de residência, nacionalidade e etc. Considere também a orientação do governo do país onde pretende viver, pois a política mais rígida (nacionalista) – ou não – vai influenciar nas condições para obter documentos que lhe permitam ficar legalmente no país.

2- Tenho dinheiro o suficiente?

Viajar não é barato. Qualquer pessoa que já se aventurou sabe disso. Mudar para outro país – com o Real cada dia menos valorizado – é mais caro ainda. Você terá as mesmas despesas que tem no Brasil. Ok, talvez não tenha mais que manter o seu carro, mas vai ter que incluir na conta o transporte público. E não, você não vai aguentar comer lanche todos os dias pelo resto da sua vida.

O que eu quero dizer é: pagar as contas e cumprir compromissos é a mesma coisa em todos os lugares do mundo. Se você está com dificuldades para não ficar no vermelho no Brasil, como esta situação pode melhorar no exterior?

3- Sei ficar bem sozinho(a)?

Se ao chegar você for acolhido por amigos e/ou familiares, pode desconsiderar este questionamento. Mas se for se aventurar sozinho, você aguenta a solidão? Sabe se virar nos perrengues? Claro, nada te impede de ter um novo círculo de amizades no novo endereço. Mas a não ser que seja muito (muito) extrovertido e der muita (muita) sorte, isso leva um tempo. Até lá, tudo bem abraçar só o travesseiro quando quiser chorar?

Não estou sendo pessimista, não quero que você chore. Mas você vai passar por tantas mudanças… Se tudo for 100% maravilha para você, então por favor entre em contato e me ensine! E não falo deste tópico só pela tristeza. Alegria compartilhada é mais gostosa. O Skype, as fotos no Facebook e os snaps são o suficiente para você? Tudo bem não ter ninguém com você no dia do seu aniversário, no Natal ou você perder o Dia das Mães e o primeiro aniversário do seu sobrinho? Se prepare também porque aquelas pessoas queridas que ficaram no Brasil vão seguir a vida sem você. 

4- Conheço a cultura do lugar onde pretendo ir?

Esqueça os clichés dos filmes ou o que você acha que já sabe. Você conhece realmente a cultura, as tradições e as regras sociais do lugar onde quer morar? Pode ser algo menos grave, que não vai te prejudicar, tipo saber que aqui na França a gente não dá beijinho no cabeleireiro. Só aprendi isso na prática e passei vergonha, mas acabou por aí. Pode ser também saber que a sua maneira de se vestir deve mudar, ou que você não pode manifestar afeto na rua. Em alguns lugares a penalidade pode ser mais grave do que simples bochechas coradas. Pesquise, pergunte e se informe.

5- Estou preparado(a) para fazer sacrifícios?

Cresci ouvindo dos meus pais que a vida é difícil. Achava que isso era só pessimismo deles. Hoje, com um pouquinho mais de maturidade, já consigo ver que é um fato. Para alcançar objetivos é preciso fazer sacrifícios. Os outros verão o que você conquistou e vão ignorar a luta, mas você saberá. Enfim, isso acontece no mundo todo. Entende? Não é saindo do país que a sua vida vai ficar mais simples.

E aí podem vir também os sacrifícios mais práticos. Por exemplo: talvez no Brasil você tenha uma ajuda na hora da faxina ou na lavanderia. Lá fora (a não ser que você tenha dinheiro, claro), fica muito mais caro ter este tipo de serviço. Ou seja? Mão na massa. A mordomia acaba quando você cresce e resolve bater asas. 

E aí, pensou? O que você quer fazer?

De novo: não quero desencorajar ninguém. Mas quero sim que você tome uma decisão consciente, pesando os positivos e os negativos. Claro que existe o lado bom. Só que este já está lá no Instagram para todo mundo ver.

Mora ou já morou no exterior e acha que deixei uma questão de fora? Comente! Vamos trocar experiências.</>