Às vezes a tristeza é tão sorrateira que ela encontra um espaço ainda mais fundo dentro de você e deixa uma brecha para a raiva ocupar o lugar. Nada dá certo. Você rema mas não consegue chegar até a praia. De quê adianta tanto sacrifício? Fez as escolhas certas até aqui? Por quê ninguém vê o que você está vendo?

Tantas perguntas. Falta ar.

Quando isso acontecer, abra a janela. Faça-o mesmo que esteja caindo um dilúvio. Não tem problema se a água respingar em você.

Então respire fundo e observe como a chuva, também nervosa, lava a calçada. Não há mais marca de xixi de cachorro e as folhas secas deslizaram para longe. Ela precisa ser forte para ser capaz de limpar.

Sua raiva é a chuva. Há algo dentro de você que precisa ser limpo. A raiva transborda. Saiam, todos. É isso. Fique só e apenas deixe tudo sair.

Acompanhe o ritmo e respire fundo novamente quando a chuva finalmente começar a se acalmar. Está se sentindo melhor?

Aproveite. Você vai se sentir assim incontáveis vezes.

Ainda bem que chove bastante.