Talvez vocês ainda não saibam, mas vou me casar daqui praticamente um mês e hoje queria compartilhar como foi a compra do meu vestido de noiva. Não sou daquelas que sempre sonhou em casar e que já tinha tudo planejado. Mas quando estava no Brasil – e ainda nem tinha noivo – um dos meus programas favoritos era “Say yes to the dress” (O Vestido Ideal). Assistia a vários episódios seguidos com a minha mãe e comentávamos que talvez um dia faríamos a mesma coisa. Honestamente, eu não acreditava muito nisso.

Até que aconteceu.

Vou tentar resumir: ficamos noivos há dois anos, antes de viajarmos para o Brasil. Era muito recente e ainda não sabíamos onde nem como seria a cerimônia, muito menos de onde viria o tal vestido. Porém queria muito viver a experiência de provar um vestido de noiva com a minha mãe, mesmo sabendo que talvez acabaria comprando um sozinha aqui na França.

Fomos à uma loja da minha cidade e inventamos uma história para justificar o motivo de estarmos lá, já que não tínhamos nem a data do casamento! Acabei provando um vestido que nos fez chorar. Choramos porque ficou bonito, porque era muito cedo para comprá-lo, porque eles colocaram a música que eu disse que queria que tocasse na minha entrada e porque havíamos mentido e ficamos com vergonha. Contamos toda a situação para a equipe da loja, que foi extremamente atenciosa e entendeu a situação.

Agora é de verdade

Em julho de 2015 voltei para visitar família e amigos. Desta vez, já tínhamos a data e o lugar do casamento. Resolvi que não iria procurar o vestido sem a minha mãe e que iria encarar a dificuldade de, caso o encontrasse, trazê-lo na mala. Fomos à outras lojas onde nada deu certo e depois voltamos à Casa Noiva porque os vestidos eram lindos e a equipe um amor! Além disso, eles já faziam parte da minha história.

Não comprei nenhuma revista de noiva. Fiz apenas uma pasta no Pinterest com inspirações. Sou uma pessoa bem objetiva, sei o que eu quero e ainda mais o que eu não quero. Com o vestido não foi muito diferente. A conclusão era que queria algo sem brilho, sem aplicação, sem volume e etc, mas ainda queria deixar claro que eu era a noiva daquele casamento. Tipo, se alguém mudasse a cor da roupa de branco para azul, por exemplo, ainda seria um vestido de noiva. Provei uns 10 e todos correspondiam aos meus critérios, com a exceção de um: deixar claro quem é a noiva daquele casamento. Não me entendam mal, eram vestidos maravilhosos, mas faltava aquele… encanto.

Até que chegou o veredito: “Ju, não temos mais opções do modelo que você quer dentro do seu orçamento. Mas tem um vestido naquela sala que está olhando para mim e eu olhando para ele. É bem diferente do que você pediu. Posso trazê-lo?” Naquela altura do campeonato eu já estava cansada, confusa e desacreditada. Porém, apesar de ser consciente dos meus gostos, não sou muito rígida. Por que não provar algo fora do que eu tinha planejado? “Pode trazer!”

Eu fiquei meio sem reação, porque realmente não era com aquilo que tinha me imaginado, mas parecia que uma luz tinha sido acesa naquele quarto. Aí alguém resolveu colocar um véu em mim. E eu chorei. Minha mãe também chorou. Naquele momento realizei que estava comprando um vestido para me casar.

Não precisamos nem fazer a barra! A única alteração foi no busto.

Fizemos um milagre para colocá-lo em minha mala. Fiz escala em Lisboa e quando finalmente chego em Nantes, descubro que metade das bagagens ficou em Portugal porque não tinha espaço no avião. Graças ao bom Deus a mala que veio comigo era a que tinha o vestido! Imaginem o “piripaque” que eu teria tido.

Hoje, o vestido está em um armário (trancado) na casa da minha sogra. Todas as vezes que passo em frente a uma loja de vestidos ou que vejo algo na internet, fico na dúvida entre olhar e não olhar por medo de encontrar um de que eu goste mais. Mas quer saber? Todas as vezes eu acabo olhando e preferindo o meu. Não vejo a hora de poder mostrá-lo para todo mundo!

De verdade, sempre achei que o “mito” do vestido de noiva fosse exagerado. Mas ao passar por esta experiência, descobri que ele é especial, sim. Não acho que o choro signifique que aquele seja o vestido ideal. Cada pessoa reage de um jeito e deve permitir-se sentir a emoção da forma que lhe parecer o mais sincera possível. Aprendi com isso que é impossível dizer que uma noiva está “feia”. Talvez nada seja do seu gosto, mas para ela aquilo é tão pessoal e sensível. Criticar baseando-se em nosso gosto é egoísta, pois não estamos considerando o sentimento de quem realmente importa naquele dia.

Ufa! Chegaram até aqui? Hahaha

O que acharam desta experiência? Me contem nos comentários se conseguiram imaginar o meu vestido! Me digam também se têm outra curiosidade em relação ao casamento ou ao relacionamento de duas pessoas de nacionalidades e culturas diferentes.