A história de como visitei o castelo de Versailles praticamente sozinha

Esta primeira foto é uma das minhas favoritas de todas as viagens que eu já fiz. Isso porque o castelo de Versailles é, por enquanto, o meu lugar favorito na França e porque de uma maneira muito especial ele agora faz parte da minha história. Poder registrar uma parte tão emblemática dele como a “Galerie des Glaces” (a Galeria dos Espelhos) sem turistas “penetras” (aspas porque eles têm tanto direito de estar lá como eu) é uma lembrança muito querida. Mas como é que consegui isso, sendo que normalmente este lugar está sempre lotado?

Tudo começa com um pouco de contexto. Esta primeira foto foi na verdade feita na segunda vez em que eu visitei o castelo. A primeira foi em janeiro de 2014, durante o inverno e quando os jardins estão secos e as estátuas cobertas. A consequência é que valia a pena passar mais tempo lá dentro do que do lado de fora. Então aproveitamos a maior parte do dia para absorver cada detalhe dos (muitos) aposentos reais. Avançando no tempo para julho do mesmo ano. Já que era verão, as plantas estavam verdinhas, as fontes ligadas e até áreas normalmente fechadas do domínio podiam ser visitadas. Com a motivação extra de que a fila para entrar no castelo estava enorme, fomos diretamente para os jardins. Em certo momento do passeio, fui pedida em casamento. Muita emoção e uma refeição depois, continuamos a explorar o espaço externo.

A primeira vez na “Galerie des Glaces”, em janeiro de 2014 (baixa temporada).

A intenção no fim das contas nem era visitar o palácio, mas quando olhamos no relógio, pensamos que ainda tínhamos tempo. Na alta temporada ele fica aberto até às 18h30. Só que esquecemos que a entrada só é permitida até às 18h. No portão de entrada (do domínio, não do palácio) o segurança nos avisou “vocês têm três minutos para tentar conseguir entrar”. E aí saímos correndo feito dois desnorteados para tentar ter este último gostinho de Versailles antes de ir embora e viramos motivo de risada das pessoas que trabalham lá.

Quem já foi sabe da imensidão do lugar, então com apenas meia hora não dá para ficar reparando na tapeçaria ou nos vasos de época. Passávamos super rápido por cada cômodo, cruzando poucas pessoas. Até que passamos pelo quarto de Louis XIV e o meu “recém noivo” falou rindo “Nós acabamos de passar correndo pelo quarto do rei. Isso não é normal. As pessoas passavam por cima uma das outras só para conseguir pisar aqui”. Foi um momento bem curioso, mas o impacto disso tudo foi quando entramos na belíssima “Galerie des Glaces” praticamente vazia. Não vou conseguir explicar a minha emoção, mas tendo em vista o contexto, vocês podem imaginar.

Então consegui “visitar” (ou correr pelos corredores) o castelo de Versailles – quase – sozinha porque entrei, literalmente, na última hora. Ver este lugar praticamente vazio é privilégio de poucos (até naquela época!) e valeu super a pena. Claramente não indico isso para quem vai visitá-lo pela primeira vez. Versailles demanda e merece muito tempo. Mas se você quer ter um gostinho de realeza, pode ser a sua chance.

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Vida: como um caderno de colorir

Outro dia eu tirei a poeira do meu livrinho de colorir e dos lápis de cor. Fiquei contente em fazer aquilo com uma música tranquila de fundo. Estava prestes a começar quando reparei na quantidade de detalhes, em forma de folhas e flores, a nova ilustração tinha. Na hora pensei em deixar aquilo para lá, ou passar para o próximo pois iria demorar e dar muito trabalho. Mas o objetivo não era justamente passar um tempo pintando? Foi aí que comecei a pensar na melhor estratégia, se faria o fundo primeiro e depois os detalhes, ou o contrário.

Escolhi as cores e resolvi começar pelas menores partes de toda a árvore. Depois trocava de cor, voltava no começo e ia rabiscando todas as figuras que havia decidido que teriam o tal tom. Foi no meio deste processo que eu percebi que aquilo poderia ser uma ótima analogia para como – e o que – é a vida. A ilustração tem linhas predefinidas, mas você escolhe as cores do desenho, por onde começar, o que vai destacar e o que tem que ser preenchido só porque faz parte do contexto. O resultado final é seu. Não é assim com a vida também? Nascemos inseridos em um contexto, mas cabe a nós trilhar o próprio caminho.

Quando perdemos controle é o momento em que deixamos outras pessoas escolherem e segurarem o lápis. Podemos até pedir opiniões – azul claro ou verde escuro? – mas o desenho é nosso. E o mais bonito e complicado de entender é que, no fundo, não existe certo ou errado. Cada um vai preencher a folha – e a vida – com o que considera ser o melhor. Duas páginas em branco dificilmente vão ser coloridas da mesma maneira. Você até pode achar a sua pintura mais bonita – ou a sua vida mais certa – do que a da pessoa ao lado. Que bom, porque afinal o trabalho é seu. Mas nada te dá o direito de convencer o outro de que as flores não podem ser verdes e que o céu precisa ser azul. Se cada um se dedicasse com propósito às escolhas das cores da própria vida, o mundo seria uma paisagem bem diferente.

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Afinal, os franceses não tomam banho?

Na semana passada, o tal cliché (ou não) envolvendo o banho e os franceses voltou à tona na mídia por conta de comentários feitos pela atriz Thaila Ayala que estava (ou ainda está?) de passagem por Paris. “As pessoas fedem muito nessa França, nessa Paris. É claro que deve ter suas exceções como qualquer lugar do mundo, mas sabe o que é você quase vomitar? É muita gente fedida”, declarou em seu InstaStories. O vídeo de um cearense falando da tal “catinga refrigeralizada” viralizou esta semana. Mas afinal, os franceses cheiram mal mesmo? Eles não tomam banho?

Minha primeira reação é rebater com uma negativa. Isso porque o meu marido é francês e quando as pessoas soltam uma afirmação generalizada do tipo “os franceses fedem”, meu instinto é defendê-lo. Assim como ele faria se ouvisse de alguém que “toda brasileira é siliconada” ou algo do tipo. Então antes de opinar, vamos aos fatos.

Contextos diferentes

O Brasil é um dos lugares onde mais se toma banho, até três vezes por dia. Os motivos a gente  que nasceu lá (aí) já sabe: faz muito calor, gostamos de estar cheirosos e fresquinhos, nos sentimos bem, desde muito pequenos as nossas mães ficavam no pé para pararmos de assistir desenho e ir para o chuveiro… e por aí vai. Muitos de nós têm até o cuidado de levar uma escova de dentes para o trabalho para limpar os dentes depois do almoço. Faça isso em algum outro lugar do mundo para ver como os outros vão te olhar.

Na França, a contexto é outro – e bem mais antigo. Por exemplo, Louis XIV, que transformou o castelo de Versailles no que ele é hoje, é considerado um dos reis mais sujos da história. Durante os quase 80 anos de reinado, ele só teria tomado no máximo cinco banhos “inteiros” na vida e usava perfume para disfarçar o odor. A medicina antiga acreditava que a sujeira na pele servia como uma barreira contra doenças, a Igreja considerou o banho como imoral, as guerras deixaram a higiene corporal em segundo (ou até terceiro) plano… e por aí vai.

Até chegar em uma época não tão distante assim, como a geração dos avós do meu marido, em que por falta de infraestrutura adequada e de água aquecida, a prática comum (chamada aqui de “toilette”) era limpar apenas as partes íntimas, embaixo do braço e o rosto com uma luvinha de tecido de toalha. E esses hábitos foram repassados para as próximas gerações. De maneira que apesar da maioria (quase 68%) hoje tomar um banho todos os dias, ainda tem 20% da população que não o faz. Isso é um francês a cada cinco. E ainda tem os assustadores (do ponto de vista dos brasileiros) 3,5% que afirmam só tomar banho uma vez por semana.

Ou seja, não dá para dizer que os franceses tomam banho como os brasileiros. Mas também não dá para afirmar que a exceção é quem toma banho. A diferença na importância que o banho tem no cotidiano faz realmente parte da esfera cultural. Tem dermatologista francês que insiste que mais de um banho por dia tira a barreira de proteção da pele e que é ok fazer o mínimo com a tal luvinha – desde que ela seja trocada a cada vez. E tem francês que ouve. No Brasil, podem aprovar uma lei contra o banho que nós não vamos mudar os nossos hábitos. E do mesmo jeito que nós não estamos preparados para quando faz frio, eles carecem de preparos estruturais (tipo ar condicionado em tudo quanto é lugar) e físicos para encarar o calor.

Para concluir, acho que o errado dessa história é generalizar e exagerar. Já encontrei muitas pessoas fedidas por aqui, sim. Mas assim como no Brasil, a maioria foi em situações durante o verão, no fim do dia dentro do transporte público. Em quase quatro anos morando na França, o cheiro de “apenas” uma pessoa realmente me deu ânsia de vômito. Ok, em 23 anos morando no Brasil, que eu me lembre, isso nunca aconteceu. Mas deve ter sido muita má sorte da moça, durante uma estada de alguns dias, entrar numa loja onde estavam concentrados todos os 20 e tantos porcento de franceses que não tomam banho todo dia.

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Esfoliante facial Smuggler’s Soul da Lush

Sou fã do conceito da Lush. Os cosméticos são feitos à mão, com o máximo possível de ingredientes naturais e sem testar em animais. Como disse em um post no Instagram após a minha última passagem em uma das lojas dela, estou tentando prestar cada vez mais atenção nas diretrizes das marcas. Resolvi começar a dar preferência às marcas que seguem esta ideologia (que eu considero mais correta e responsável), mas isso não significa que de um dia para o outro vou mudar todos os meus hábitos e produtos de costume.

Considero isso um processo, assim como tornar-me vegetariana. Com a comida, é até mais fácil para mim porque não curto muito carne. Já resistir à um creminho “milagroso” ou àquele tom de batom que só encontro na bendita marca que também vende na China (e por isso ainda testa em animais) já é mais difícil. Mas como eu disse, é um processo de descoberta e também de adaptação.

E falando em novos achados, foi neste estado de espírito que resolvi trocar o meu esfoliante facial preferido da Avène pelo o “Smmuggler’s Soul” da Lush.

Esfoliante facial Lush “Smmuggler’s Soul” (9,95€, 45g): “O sândalo desde esfoliante vem de um grupo de cultivadores aborígenes do Kalgoorlie, no oeste da Austrália. A este perfume rico, junta-se o extrato de bamboo que esfolia a pele, um pouquinho de suco de mamão para refrescar. Os óleos de argan e de ‘rosa canina’ orgânicos revigoram e hidratam”.

As partículas de bamboo são bem pequenas, mas você com certeza as sente ao passar no rosto.

Primeiras impressões

Foi a moça da loja que me indicou este produto quando disse que a minha pele era sensível e que eu gostava de “sentir” o esfoliante (prefiro os físicos, com partículas, aos químicos, líquidos). Ela testou na minha mão e de cara aceitei a sugestão. As partículas de bamboo são bem pequenas (tanto que não são visíveis na foto), mas você com certeza as sente ao passar no rosto. Aplico com movimentos circulares, sem forçar, e apesar de não ser uma máscara, deixo alguns minutos na pele antes de remover com água. Adoro a estética das embalagens e a quantidade, apesar de não parecer, é bem generosa porque não é preciso aplicar muito produto.

É bom?

Se eu disser que fico esperando os dias de fazer esfoliação (faço 2 vezes por semana) acho que já responde a pergunta, né? Hahaha Adoro a textura e a sensação de limpeza que vem depois. Devo admitir que não sou muito fã do tal sândalo. Não compraria um perfume disso, por exemplo. Como o cheiro não fica, não considero como um ponto necessariamente negativo. Penso que na hora de renovar, vou procurar um esfoliante facial com mais ou menos a mesma textura só que com outro perfume – mais pela vontade de testar um diferente do que pela necessidade de trocar. Minha pele se adaptou super bem e minha pele ficou até sem aquelas pipoquinhas “normais”, sabe? Não posso afirmar que apenas pela ação dele, mas com certeza pela combinação de todos os cuidados.

O que você acha da ideologia da Lush? Você usa os produtos da marca? Quais você mais gosta? Deixe a sua recomendação nos comentários!

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Mulher Maravilha

Direção: Patty Jenkins

Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Nacionalidade: EUA

Ano de lançamento: 2017

Diana, princesa das Amazonas, cresceu rodeadas por mulheres fortes e guerreiras na isolada ilha de Themyscira. Um dia, o avião de Steve (Chris Pine), um espião britânico, afunda no mar e ela o salva da morte – é a primeira vez que ela vê um homem. Por meio dos relatos feitos por ele, Diana aprende que o mundo está em guerra. Acreditando que tudo é obra do vingativo Áries, deus da guerra, toma como missão destruí-lo e restaurar a paz.

Diana ajuda Steve a fugir das Amazonas com a condição de que ele a coloque na linha de frente da batalha. A moça foi criada em um meio muito diferente da sociedade moderna e por isso questiona costumes e atitudes do mundo ocidental, arrancando risadas do público. Diana é forte, determinada, instruída, honesta, amorosa e justa, porém ainda pouco sabe sobre as nuances, por vezes bem escuras, do caráter humano. A atriz Gal Gadot (que já apareceu nas telonas como Gisele em “Velozes e Furiosos”) encarna a personagem de forma tão… maravilhosa e natural, que é impossível não encantar-se e inspirar-se.

Muito desse poder também tem a ver com o fato da direção ter ficado ao cargo de outra mulher, Patty Jenkins. Diana é uma Amazona no sentido mais literal e mundano da palavra, mas sem exageros e sem ser hiper sensualizada. Ela não está lá para agradar aos homens, mas sim para vencer uma batalha. A galera na internet está até comemorando o fato de que as coxas balançaram em uma cena em fez um pouso. Talvez a imagem de Diana não seja revolucionária por ainda se enquadrar nos “padrões de beleza” modernos (e da HQ), mas é sim menos artificial. Precisamos de mais protagonistas como ela.

O filme tem 2h30 de duração e consegue manter um ritmo interessante. Aprendemos sobre a história de Diana e das Amazonas antes de passar à aventura dela em meio aos humanos. O interesse da princesa por Steve evolui aos poucos da curiosidade ao sentimento, mas a relação nunca ocupa o espaço da missão. As cenas de ação têm ótimos efeitos especiais que não roubam a cena, afinal o destaque é todo para Diana. Em resumo, no mundo cinematográfico dos super heróis estava faltando um filme como “Mulher Maravilha”.

Já assistiu “Mulher Maravilha”? Vem conversar comigo e deixe o seu comentário contando o que achou do filme!

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Vlog: Andando de jetski pela primeira vez

Quando eu disse no post passado que o meu marido tinha me feito uma enorme surpresa no dia do meu aniversário, o que eu queria dizer é que ele me levou para andar de jetski! Sempre quis fazer isso, mas quando eu era mais nova e muito menos medrosa. Hahahaha. Também foi muito legal ver de pertinho o maior veleiro do mundo, lembram que ele já tinha “aparecido” por aqui quando fomos para Menton?

Quer dar uma volta pela Riviera Francesa pelo mar? Então é só dar play!

Ufa! Kkkk. Foi incrível. Acho que dá para perceber que eu fiquei meio “passada”. Hahaha. Pelas indiretas do meu marido no dia anterior, eu achava que ele ia me dar um dia de spa ou algo do tipo #SQN. Acabou sendo um presente para os dois, pois ele, que faz niver daqui a pouco, também aproveitou muito!

Para quem vai passar pela região da Côte d’Azur e ficou com vontade de ter esta experiência, fizemos o passeio com a Antibes Jet Spot. Os preços variam de 60€ (20 minutos) a 270€ (7 horas).

Gostaram? Então não deixem de comentar, dar um like no vídeo e seguir o canal do blog no Youtube!

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27 anos: o que eu ganhei de presente de aniversário

Logo que o mês de Maio começou, já publiquei aqui no blog a minha wishlist de aniversário porque sou dessas. Hahaha. Agora já oficialmente com 27 anos, vim contar para vocês o que ganhei de presente. Aquele dia começou com uma surpresa enorme – que vai ser o tema do post desta quinta-feira, então não deixe de curtir a Fanpage do blog para saber assim que o post for publicado. Além desta experiência incrível, fui mimada – e amada – pelos melhores pais e marido do mundo.

No começo do ano, tive que trocar os meus tênis de “corrida” (aspas porque de corrida eles nunca participaram kkk) e o meu Converse All Star de couro branco que tinha desde os 18 anos e que já estava, sendo bem gentil, um tanto quanto gasto. Meus pais muito gentilmente ofereceram os substitutos como presente de aniversário. Agora, se não estou usando um, estou com o outro.

Além disso, eles foram generosos o suficiente para ainda me mandar uma caixinha do Brasil. Quem mora no exterior sabe o calor no coração que dá receber algo “de casa”, independentemente do conteúdo. Minha mãe foi tão ninja que este outro presente inesperado chegou bem no dia do meu aniversário! No pacote, a camisa com uma estampa linda da primeira foto (da Amaro) e esta necessaire jumbo personalizada. Tenho um fraco enorme por coisas com o meu nome (quem mais?). Ela é feita à mão por uma amiga da família, que tem um trabalho incrível. Este ano até a Sephora apareceu. Por ter o cartão de fidelidade, a loja me ofereceu uma máscara facial de flor de lótus e uma para a região dos olhos de chá verde. Gostei pouco, hein?

Da minha listinha de desejos, ganhei o que estava mais precisando: o delineador em caneta da Kat Von D, o sérum da Estée Lauder e a bateria portátil. O extra (porque realmente não esperava), ficou por conta do livro de etiqueta escrito pela Liv Tyler, atriz americana de quem sou fã há muitos, muitos anos, e pela avó dela, que é expert na matéria. Estou ansiosa para começar a ler e ainda não tenho a mínima ideia se será compatível com a minha realidade, mas como diz o meu pai, “conhecimento não ocupa espaço”.

Quando o buquê é tão grande que nem cabe na foto. Bem-vindos, 27 anos! 🎂 #bdaygirl #deontem

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Achei que faria sentido contar o que eu recebi depois de ter mostrado o que eu pedi, espero que tenham gostado. Me digam nos comentários se tiverem curiosidade para saber mais sobre um produto ou se quiserem resenha de algum dos cosméticos.

 

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Uma tarde em Menton

Menton é a última cidade ao longo da costa francesa antes da fronteira com a Itália. Com temperaturas em média 3ºC mais quente que o restante do país, a charmosa “Terra das frutas cítricas” beneficia de um microclima que beneficia este tipo de cultivo. Portanto, espere encontrar vários produtos nas lojinhas locais relacionados com o limão. É tão tradicional que há mais de 80 anos é realizada, em Fevereiro, a “Festa do Limão”. Pense em um carnaval com esculturas feitas de… limão! E laranja.

Em uma das paradas para admirar a vista: o maior veleiro do mundo! Ele custa 425 milhões de euros e tem 100 metros de altura.
Os Jardins Biovès, onde é realizada a “Festa do Limão”.

Deixando para trás o glamour ostensivo da Côte d’Azur e de cidades como Cannes e Mônaco (aliás, vale fazer paradas no caminho porque a paisagem é linda), Menton surpreende pela calmaria. Até então nunca tinha estado na Itália (mais sobre isso adiante), mas as ladeiras com casinhas umas grudadas nas outras e ruelas estreitas era o que eu imaginava de um lugar tão próximo. Esta é a estética típica dos arredores do cemitério e da Basílica de Saint-Michel, no topo de Menton. Se você ainda tiver força nas pernas depois de subir o morro (nós fomos de carro kkk), vale a pena explorar.

A Basílica de Saint-Michel (à esquerda) e a Capela des Pénitents-Blancs.
Reparem no tamanico desta porta!
Vale a foto porque é raro: chuva em Menton!

Menton tem 316 dias de sol por ano. Depois de visitarmos a parte alta da cidade, começou a chover. Pois é. Estávamos prontos para pegar a estrada de volta, porque não tem muito o que fazer em ambientes fechados por lá, quando o sol resolveu dar as caras novamente. Estacionamos e fomos tomar sorvete e depois andar pelo litoral, admirando os diferentes tons de azul do mar e a arquitetura do museu Jean Cocteau.

Uma das lojinhas típicas do centro de Menton.

Outra coisa que dá para fazer andando, mas que é mais fácil de carro: cruzar a fronteira com a Itália! Foi a primeira vez que fiz isso sem ser em um aeroporto e sem ter que passar pela imigração. Foi uma sensação muito engraçada e um pouco assustadora, porque de repente não sabíamos para onde ir e não tínhamos mais internet no celular! Vou ser honesta, rolou uma pequena crise de pânico. É em situações como esta que percebemos como ficamos dependentes da tecnologia. Graças ao GPS do carro continuamos dirigindo por mais uns 20 minutos até Ventimiglia, que era a única cidade que “conhecíamos”. Aspas enormes aqui porque apenas ouvimos falar nesta cidade e isso graças ao trem que passa perto de casa e faz a última parada lá. Hahaha.

Dica: Se der vontade de tomar um sorvete de limão, pergunte antes se ele é feito com a fruta da cidade (se tiver esta exigência). O meu não era, mas estava gostoso.

Aos trancos e barrancos encontramos um restaurante para tomar alguma coisa e resolvemos ficar para jantar – que chique, dar um pulinho alí na Itália para comer gnocchi e voltar para casa! Kkkk. O curioso foi observar que mesmo estando separados por apenas alguns quilômetros, os dois lugares não têm nada a ver um com o outro – nem as pessoas. Eu esperava um mix das duas culturas, sabe? Mas não. Andando na rua e no restaurante já ficou bem claro que não estávamos mais na França. No restaurante fomos bem recebidos e a atendente se desdobrou em atenções conosco, traduzindo todo o menu em inglês. A mesa ao lado começou a puxar assunto e conversamos por um bom tempo. Quem já passou pela França sabe que isso não acontece. Cruzar a fronteira foi uma ótima experiência e só me deu mais vontade de conhecer a Itália. Também me deu uma nova tarefa: aprender Italiano!

Gostaram das fotos? Me conte aqui nos comentários se você já teve esta experiência de mudar de país “de uma hora para a outra” e com foi!

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27 anos: 3 desejos, 3 aprendizados e 1 agradecimento

Ontem foi o meu aniversário! Completei 27 anos e como em cada ocasião que sugere renascimento e renovação de energia, peguei um tempo para refletir sobre o último ano. Muitas coisas importantes aconteceram neste curto período, como o nosso casamento e a mudança do oeste para o sul da França, e com essas experiências vieram ensinamentos importantes para o restante do caminho. Gostaria de compartilhar alguns pontos com vocês e é por isso que resolvi dividir o balanço deste aniversário em desejo, aprendizado e agradecimento.

Desejos

1 – Dar os primeiros passos em direção ao nosso lar

Talvez desejar ter a casa própria daqui um ano seja pedir muito, então o que eu desejo para este “novo ano” é que consigamos chegar cada vez mais próximo do sonho da casa própria. Nós gostamos muito de deixar as coisas do nosso jeito e investir na nossa qualidade de vida, mas nunca é mesma empolgação quando moramos de aluguel.

2 – Cuidar melhor de mim

Sempre tenho um desejo individualista de aprender a cuidar melhor do meu corpo e do meu espírito, de encontrar o equilíbrio entre quem eu quero ser e quem eu sou. Autoconhecimento, consciência e evolução. Quando digo que quero cuidar melhor de mim mesma, quero realmente levar esta atenção para todas as esferas da minha vida e poder trabalhar para minimizar as frustrações e aumentar a alegria de viver.

3 – Retomar a vida profissional

Não é um assunto que eu fale muito pois é sensível. Desde que cheguei na França, apesar de toda bagagem cultural, profissional e acadêmica, ainda não consegui me encontrar profissionalmente neste país. Um dos meus maiores desejos é conseguir retomar esta parte da minha vida, à qual sempre me dediquei, e continuar a construir a minha carreira.

Aprendizados

4 – O que as pessoas pensam de mim não muda a minha essência

É um raciocínio teoricamente fácil, mas difícil às vezes de nos lembrarmos quando somos acertados em cheio com um soco na cara (figurativamente falando). Tive a infelicidade de cruzar com algumas pessoas pobres de espírito e por falha minha, deixei comentários maldosos e inúteis me afetarem. Isso não vai mais acontecer.

5- Ser gentil e falar o que eu penso

Ao longo do tempo eu aprendi a escolher as minhas batalhas e deixei muita coisa “passar batido”. Acontece que eu já tinha absorvido aquela situação e ficar quieta só fez a frustração se acumular uma no topo da outra. Sempre com educação, aprendi que não é errado discordar e soltar a voz – seja sobre uma situação ou sobre um pensamento. Me segurava bastante neste sentido por causa do idioma, mas hoje eu o domino e não tenho problemas para me expressar.

6- Ser legal comigo mesma

Uma das coisas que eu mais preciso lutar contra é o padrão de beleza que tenho na minha cabeça. Não vou entrar nos detalhes da análise de como ele foi internalizado, mas a realidade é de que ele não me representa e persegui-lo é correr atrás de uma bolha de sabão. Eu preciso estar consciente das minhas qualidades e celebrá-las, me perdoar pelos erros e entender que a beleza não é apenas personalizada por uma modelo da Victoria’s Secret.

Agradecimento

7- O amor da família

Também acho que há muitos outros motivos para eu ser grata, mas o que tem sido mais importante e evidente é o amor e o apoio que tenho a sorte de receber da minha família. Quanto mais converso por aí, mais percebo como é raro ter este tipo de relação. Ninguém é perfeito e nem sempre concordamos, mas a confiança e o apoio independem disso. Dou graças a Deus pela família que tenho e pela nossa saúde.

Espero que com esta lista vocês tenham conhecido um pouquinho mais sobre mim e que ela também os façam refletir sobre os seus desejos, aprendizados e agradecimentos. Não precisa colocar na internet, mas não deixe de dizer as coisas importantes a quem merece ouvi-las.

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Parque da Colina do Castelo e o melhor pôr do sol de Nice

Não sou de dizer o que os outros devem ou não fazer em uma viagem, afinal cada um tem as próprias preferências, mas o Parque da Colina do Castelo em Nice é um lugar que eu recomendo fortemente que você visite quando estiver na região. O ideal é fazê-lo perto do horário do pôr do sol, assim você pode assistir a esta maravilha da natureza do ponto de observação mais alto da cidade, vendo a luz deixando ao mesmo tempo o centro antigo e escurecendo o Mar Mediterrâneo. Dizem que é um dos panoramas mais lindos do mundo.

O local abre às 8h e fecha após o entardecer. A entrada é gratuita e o acesso ao elevador também (procure pela placa “ascenseur”). Li que a parede atrás do banco que fica perto do elevador esconde um acesso secreto para a rede de túneis da 2ª Guerra Mundial! Para quem preferir, também é possível subir degrau por degrau e ir parando nos diferentes níveis para explorar a natureza.

A vista da colina para quem está na avenida Quai des États-Unis e prestes a começar a subir. Repare na foto onde fica o elevador (ascenseur), à esquerda.

Se conseguir, vale chegar um pouco antes do pôr do sol para aproveitar. Apesar de ser chamado de Colina do Castelo, não tem castelo nenhum por lá. O prédio foi destruído pelos soldados do rei Louis XIV em 1706. Nesta época, Nice não pertencia à França, mas sim ao Ducado de Saboia. Até hoje o local é um sítio arqueológico a céu aberto, inclusive com áreas restritas pois buscas ainda estão em andamento, e é possível observar algumas ruínas da época. Pessoalmente, eu acho que é aqui que a Fera da história “A Bela e A Fera” morava.

Ruínas do castelo.
Mosaicos decorativos em uma das escadarias.
O chão da mesma escadaria da foto acima. Vai falar que não saiu do filme “A Bela e A Fera”?
“Buscas arqueológicas. Entrada proibida”. Lá estão as ruínas de uma capela.

O Parque da Colina do Castelo de Nice é um dos lugares mais pacíficos que já visitei. É muita natureza, nada de barulho de carro, apenas pássaros – isso quando os seres humanos colaboram, claro. Este passeio, como vários outros, foi improvisado e não tivemos tempo para explorar todos os 19,3 hectares antes de nos posicionarmos para ver o pôr do sol. Pesquisei e descobri que na parte de trás da propriedade estão dois cemitérios, então acho que não perdi nada. Hahaha.

Neste “nível” da colina também há um playground para crianças.

Dicas extras: Uma vez por ano, entre os meses de Junho e Julho é realizada a Festa do Castelo. Durante duas noites, bandas tocam a céu aberto no parque. Além de ter uma vibe diferente, também é a única oportunidade de visitar o local durante a noite.

O centro antigo de Nice, no pé da colina, bomba durante a noite com bares e restaurantes, não apenas ao longo do Quai Des États-Unis (que é o “começo” – ou o fim, dependendo da perspectiva – da famosa Promenade des Anglais), mas também nas ruazinhas internas. Vale a pena explorar e procurar um bar para tomar apenas o “apéro” (uma bebida antes da refeição) ou um restaurante para jantar mesmo.

Levanta a mão aí quem adora pôr do sol! Me conte nos comentários se acha justo, pelas fotos, considerar a vista do Parque da Colina do Castelo como um dos panoramas mais bonitos do mundo!

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