Bondade: você também a merece

Você sempre tenta ser uma boa pessoa. Tem o hábito básico de dar bom dia, agradecer, pedir licença ou desculpa. Mas também faz aquele exercício difícil de se colocar no lugar do outro, escutar muito e falar apenas se necessário. Tenta – quase sempre – ver o lado positivo das situações. Não joga papel no chão e recolhe o cocô do cachorro religiosamente. Falando em religião, também reza. Agradece a saúde e o amor, pede proteção e perdão pelas faltas.

Longe de ser uma santa, tem um vocabulário de marinheiro. Mas toma cuidado para não usá-lo na frente de quem não tem intimidade. Às vezes solta o verbo, afinal ninguém é de de ferro. Mas tenta policiar os impulsos para não deixar que as próprias ações tenham um impacto negativo no mundo. Acha que fazendo isso pode se considerar uma boa pessoa.

Mas deixa eu te contar uma coisa: todo esse esforço, apesar de essencial, é insuficiente. Ele não te protege do mal. Isso porque basta uma olhada no espelho para o veneno sair. Não pela boca. São os olhos que vão diretamente para o calombo do nariz, para o olho caído e para a raiz murcha do cabelo. A boca até entorta quando a atenção vai para a barriga. Daí para baixo é melhor nem descrever. Nem as unhas do pé escapam.

De que adianta tentar ser positiva para os outros e para o mundo e ser incapaz de tolerar a si mesma? Pratique diariamente gratidão e amor próprio. Não significa que da noite para o dia vai acordar se sentindo a Gisele. Quer dizer que cada vez que se deparar com a sua imagem, no espelho ou nos pensamentos, vai ser bondosa e positiva consigo mesma também. Porque “um estado negativo, depressivo, ainda que não atinga os outros, que fique apenas dentro de você, é o bastante para atrair o mal em sua vida”*. E é difícil ser feliz quando alguém é malvado com você o tempo todo.

*Citação: livro “Sem Medo de Viver” (Zibia Gasparetto)

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Sua Alteza Real

Autora: Danielle Steel

Título Original: H.R.H.

Gênero: Romance

Editora: Record

Número de páginas: 304

Ano da edição: 2012

Christianna é filha do príncipe regente de Liechtenstein, um território entre a Áustria e a Suíça. Como o irmão mais velho está mais preocupado em curtir a vida antes de ser obrigado a assumir a monarquia, a princesa acaba cedendo aos desejos do pai de mantê-la por perto. Porém, depois de uma temporada nos Estados Unidos para cursar a faculdade, meros compromissos sociais, roupas e festas não são o suficiente para Christianna. A princesa resolve então tentar fazer a diferença. Troca o salto alto e os figurinos Chanel por botas de trilha e parte em missão junto à Cruz Vermelha na África. As tragédias vivenciadas em locais remotos mudarão para sempre sua visão do mundo, mas o maior impacto será das pessoas que cruzarão seu caminho.

Não sei quantos livros da Danielle Steel eu já li, mas foram alguns. Achei “Sua Alteza Real” o mais leve deles em termos de carga emocional. Isso quer dizer que quase todas as vezes eu choro muito lendo o trabalho dela. Esta história demorou para me envolver. E creio que só conseguiu porque me identifiquei com o interesse amoroso que surge – lentamente – na narrativa. Difícil não se simpatizar com uma relação à distância considerada impossível quando passamos pela mesma coisa.

Acredito que Christianna não seja um personagem realista o suficiente para permitir a identificação com o leitor. Ela é muito requintada, agradável, respeita e se submete às exigências do pai ao extremo; se controla e se abstém das próprias vontades o tempo todo. Beira tanto a perfeição, mesmo infeliz, que fica um pouco irritante e desumana. Mesmo assim, Danielle Steel ainda consegue a caraterística carga emotiva de suas obras. Ela só demora – muito – para aparecer. É um livro ok para quem já conhece o trabalho da autora, mas não recomendaria como descoberta. Neste caso, prefira Um Longo Caminho para Casa (meu preferido dela até hoje) ou Resgate.

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O Cabo de Antibes

O sul da França, mais precisamente a Riviera Francesa, é um dos destinos mais populares entre ricos e famosos para curtir o verão europeu. Hotéis de luxo, como o Eden Roc, e o Festival de Cinema de Cannes (para citar apenas um evento da região), estimulam as idas e vindas das estrelas. É fácil esquecer que pessoas “normais” também moram por essas bandas. O que fazer por aqui quando não somos milionários? Além do glamour, o Sul da França tem uma beleza natural ímpar, misturando a calmaria das montanhas com a badalação do litoral. Uma maneira gratuita (e fitness) de explorar isso é fazendo a caminhada ao longo do Cabo de Antibes.

A volta completa da península tem quase 5 quilômetros e leva, em média, duas horas. O que fizemos foi parar o carro no estacionamento da praia de la Garoupe e começar a caminhada a partir de lá. Todo o percurso é bem delimitado, então não há risco de se perder. Contudo, preste atenção ao horário do pôr do sol, porque não há nenhum tipo de iluminação artificial. O caminho é relativamente fácil, porém trechos íngremes e sem muito apoio podem dificultar o trajeto para pessoas com mais idade e/ou com dificuldades físicas.

Em alguns pontos andamos em um terreno plano e em outros subimos e descemos degraus na beira de penhascos de calcário branco. Lá embaixo, as ondas do mar Mediterrâneo de um turquesa impossível de ser fielmente capturado por uma câmera. Como é inverno, tivemos o prazer de ver isso com os Alpes cheios de neve ao fundo. (Uma pena que neste dia em que fiz as fotos havia névoa!)

Por conta de ser baixa temporada, não há problema de circulação pela trilha estreita. Mas com certeza o cenário será outro quando o calor chegar e grupos de turistas se acumularem no meio do caminho para tirar fotos. Quem mora pela região pode considerar fazer a caminhada antes que eles cheguem – ou depois.

Gostaram das fotos? Me contem nos comentários se vocês têm alguma curiosidades sobre o Sul da França ou sobre a vida por aqui. Estou ansiosa pela chegada do verão para ver como o ritmo vai mudar.

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Trilha de raquete nos Alpes do sul da França

Quem assistiu ao vídeo da primeira vez em que vi neve já sabe que a minha expectativa infantil foi frustrada porque ela não era “fofinha”. Muitas pessoas ressaltaram que era porque eu estava nas pistas de esqui. Pois uma semana depois da gravação deste vídeo, fizemos outra atividade no topo das montanhas: trilha. Ou seja, desta vez deu para literalmente afundar na neve! E ainda de quebra realizei aquele desejo de “estar em dois lugares ao mesmo tempo” pois atravessamos a fronteira entre a França e a Itália pelos Alpes.

A muralha que demarcava a fronteira entre os dois países antes da 2ª Guerra. A atual fica a alguns metros.

Este programa foi proposto pelo próprio escritório de Turismo da Isola 2000, mas com certeza outras estações fazem o mesmo. Pagamos 20€ /pessoa e tivemos direito ao guia, ao aluguel do equipamento, ao telesqui (que nos leva até o topo da montanha) e até a um piquenique a 2.350 metros de altitude! Vale a pena ressaltar que antes investimos em um calçado apropriado para trilhas: com o cano mais alto para proteger o calcanhar e impermeável, característica essencial durante o inverno. A proteção contra a água deve ser levada em conta também para a calça.

Piquenique tradicionalmente francês: pão, queijo, frios e vinho! De sobremesa: iogurte fresco e torta de mirtilo.

Caso já possua as raquetes, pode-se explorar o domínio por conta própria. Mas honestamente, é pouco recomendável porque o lugar é imenso, isolado e se você tiver um problema, só Deus para te ajudar. No dia em que fizemos isso tivemos muita sorte porque o céu estava limpo e não tinha vento, porém o risco de avalanche ainda era de nível 4. Descobri escrevendo este post que o máximo é 5 (#loucura). Daí a importância de ter alguém com experiência para saber a técnica, por onde passar e os lugares a serem evitados.

As raquetes ajudam a não afundar na neve e os “dentes” de metal no solado na aderência em subidas e descidas.

Mesmo com toda essa assistência eu consegui cair e ficar entalada em um buraco (kkkk). Afundei a perna esquerda inteirinha e precisei da ajuda de duas pessoas para conseguir sair. Uma delas teve que agarrar a minha calça porque não alcançava o meu pé. Não foi legal. Isso do meu ponto de vista, porque o meu marido se divertiu. (Se vocês forem legais nos comentários eu solto o video no InstaStories @jujgarzon hahaha).

Parece ser super tranquilo no quesito esforço físico, mas juro que é pior do que correr na areia. Juntando a altitude, a quantidade de roupas, o peso do sapato e da raquete, o fato de você às vezes afundar até os joelhos (ou mais!) e de subir e descer colinas nestas condições durante três horas, a luta é real. Mas eu me diverti muito mais do que esquiando – tirando a parte do telesqui, que é aterrorizante para quem tem medo de altura como eu. Deu para ver o meu desespero no fim do vídeo.

A chegada do telesqui “Lombarde”, a 2.350 metros de altitude.

Lá em cima é uma paz silenciosa mágica com uma vista inebriante. Apesar de eu tentar contar as minhas impressões aqui, nada se compara ao sentimento de vulnerabilidade face à grandiosidade da natureza. Sim, esta é a parte poética do post (haha). Mas sério, enquanto o esqui não é algo que eu diria que você pre-ci-sa fazer pelo menos uma vez na vida, uma aventura como esta com certeza é.

A corda no canto inferior esquerdo delimita a atual fronteira entre França e Itália.

Se você se interessou por este tipo de atividade, entre em contato com o departamento de turismo da sua estação preferida para saber a programação. Normalmente as vagas são limitadas e precisam ser reservadas antecipadamente.

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 3 Dicas para levar uma vida mais consciente

Comentei no primeiro post de 2017 que a minha única resolução para o ano novo era tomar decisões mais conscientes. Desde que escrevi isso, foi como se realmente tivesse marcado o meu cérebro com esta ideia e comecei a engolir informações, pesquisar mais e expandir os meus interesses. O que aconteceu? Entrei em crise existencial.

Foram muitas referências ao mesmo tempo sobre diversos assuntos e eu fiquei perdida. Me acalmei, (acho que) encontrei um centro novamente e resolvi compartilhar essas dicas – até comigo mesma – para que você possa fazer mudanças em sua vida e se importar com o mundo sem enlouquecer.

1- Escolha um assunto prioritário para começar

Eu deveria ter previsto isso, mas o que aconteceu foi que comecei a me preocupar com a alimentação. Depois abri os olhos para a indústria por trás do modelo fast fashion. Em seguida passei para o teste de cosméticos em animais. Isso em duas semanas. Foi aí que comecei a ter vontade de parar de viver (ok, exagero). Então a primeira dica é: se você quer mudar seus hábitos, foque em uma coisa de cada vez. Não dá para ser consistente se você está perdido(a) e sem saber o que fazer nem por onde começar.

2- Seja paciente consigo mesmo(a)

Acho este ponto particularmente importante quando falamos de alimentação. Cortar carne vermelha, por exemplo, não é nenhum sacrifício para mim porque nunca fui amante. Já abandonar aquele chocolate ao leite que só tem coisa que não presta é um martírio. Tudo bem ir aos poucos, se acostumar com outros sabores e abandonar os velhos hábitos. Dar aquela escorregada também não é nada grave.

Esta marca de cosméticos que está no seu banheiro testa em animais? Não adianta nada jogar fora, é desperdício. Preste mais atenção quando for comprar um novo. Deixou de fazer o esporte por preguiça? Levante do sofá assim que der e compense. Leve um dia de cada vez. Dizem que são necessários 21 dias consecutivos para criar um novo hábito. Ou seja, sua vida não vai mudar do dia para a noite.

3- Não imponha aos outros a sua nova visão

Quanto tempo você levou para mudar de opinião? Não espere que todo mundo esteja pronto – ou queira – ver o mundo da maneira que você o está enxergando agora. Troca de opiniões são sempre bem vindas, mas apenas se nenhuma das partes estiver na verdade mais preocupada em ganhar o argumento. Viva da maneira que lhe parecer mais justo com as suas crenças e esteja disposto a compartilhar (isso significa falar e também ouvir) conhecimentos.

Gente, este post na verdade me ajudou a organizar as ideias! Hahaha Fico feliz em poder compartilha-lo com vocês. Me contem nos comentários: como estão as resoluções de Ano Novo de vocês? (Caso tenham resolvido fazer alguma.) E se tiverem mais dicas, não deixem de compartilhar.

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Vlog: realizando o sonho de ver neve

Ver neve era o primeiro item da minha lista de “Coisas para fazer antes morrer” (sim, sou dessas) e pouco antes de 2016 acabar eu realizei este grande sonho. Não contente em apenas brincar com o gelo, resolvi também me aventurar no esqui. Veja no video abaixo a minha experiência e acompanhe a linda viagem da Riviera Francesa até os Alpes do Sul.

Isola 2000

A estação de esqui Isola 2000 fica à 90km de Nice (cerca de uma hora e meia de viagem) e o acesso é pela estrada nacional, ou seja, livre de pedágio. Também é possível chegar de ônibus (a partir de 4€). O local está a 2 mil metros de altitude, na fronteira com a Itália e com o Parque Nacional do Mercantour.

Isola 2000 tem dois estacionamentos gratuitos (o 1 fica no ponto mais baixo das pistas e o 2 fica no nível do Office de Turismo e das lojas de locação de equipamentos). Em alta temporada é importante chegar cedo (a abertura é às 9h) para conseguir vaga.

A “mini pista” onde filmamos este vlog é gratuita. Para utilizar outros “tire-fesse” (o reboque que te leva para o topo da colina) e telesqui é necessário comprar um pacote de acordo com a duração da estadia e o nível das pistas que você deseja (do verde – mais fácil – ao preto – impossível kkk). Este pacote será obrigatoriamente carregado no cartão (1,50€), que permitirá o acesso aos dispositivos mecânicos. A compra do “forfait” pode ser feita online (desde que você já tenha o cartão) ou presencialmente, mas se prepare para encarar longas filas.

Dica: durante a temporada eles fazem uma venda flash com promoções todas as terças-feiras às 20h.

Aluguel do esqui

Utilizamos o site Skimium para alugar os equipamentos pois ele dava em torno de 20% de desconto com a reserva feita com antecedência (até a noite anterior) e mais 5% para os clientes com cartão Decathlon. O preço varia de acordo com o nível de experiência. Por exemplo, esquis + botas para iniciantes custam em torno de 23€/dia. O capacete fica por 4€. Mais experimentados podem alugar equipamentos de melhor qualidade por pouco mais de 30€/dia.

Reserva feita, retiramos os esquis na loja física na entrada da estação.

Ficou alguma dúvida ou tem outro conselho para quem quer esquiar na região? Comente! Não deixem também me contar o que acharam do vídeo! O que estaria na lista de “Coisas para fazer antes morrer” de vocês?

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3 Documentários que vão te ajudar com as resoluções de Ano Novo

Feliz 2017, gente! Que este novo ano seja repleto de gratidão, auto-conhecimento, progresso, sucesso e felicidade.

Faço parte do time que vê na virada mais uma oportunidade de evolução; de mudar o que não está funcionando, de desapegar e de agregar novas coisas e experiências. Por isso, em 2017 resolvi dedicar esta energia à busca por um equilíbrio que vai além do peso da balança (kkk). Quero sim trabalhar para alcançar a minha melhor versão física, mas também quero trabalhar o emocional. Desejo coisas novas, mas quero pensar no impacto delas na minha vida e no mundo.  Não é um trabalho preciso, porém uma avaliação constante de escolhas. Pegaram a vibe?

Reuni neste post três documentários, disponíveis no Netflix e outras plataformas, que me inspiraram e me deram um ponto de vista sobre três assuntos diferentes: alimentação, felicidade e moda. Se você também têm objetivos para 2017, está disposto(a) a ouvir ideias talvez diferentes das suas ou já zerou o catálogo de filmes e séries, sugiro que assista.

Food Choices

Um filme sobre comer conscientemente. Além do impacto na saúde, também é levado em consideração o custo do atual modo de vida da maioria das pessoas e as consequências dele para o planeta.

Happy

Todo mundo quer ser feliz, mas existe uma receita para a felicidade? O documentário reúne uma série de depoimentos de pessoas comuns de diferentes origens e entrevistas com especialistas para tentar responder à pergunta.

The True Cost

Os preços acessíveis das roupas de fast fashion são possíveis por causa da mão de obra e matéria prima barata que as empresas buscam em países menos desenvolvidos. O vídeo mostra o que se esconde por trás de uma camiseta com a etiqueta atraente à 5 dólares.

Já viram alguns desses documentários? Me contem nos comentários se vocês se interessam por estes temas. Qualquer outra indicação também será bem vinda!

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Diferenças na celebração do Natal entre Brasil e França

Como disse no vídeo de montagem na nossa árvorel, celebrar o Natal é algo que eu adoro fazer. Reunir a família, trocar presentes, comer, comer mais um pouco e comer até explodir. Hahaha Não deixei de fazer isso ao me mudar para a França, mas precisei me ajustar a algumas mudanças. Resolvi então contar para vocês algumas das diferenças na celebração do Natal entre o Brasil e a França.

Vale lembrar que essas são curiosidades que observei e comparei entre as minhas famílias dos dois países. Portanto pessoas que moram e lugares diferentes e com tradições diferentes podem não tirar as mesmas conclusões.

O Presépio

Imagina a cena: pouco antes do Natal visitamos uma igreja. Fui dar uma olhadinha no presépio e “ué, cadê Jesus?!” “Ele ainda não nasceu!”. Lógico. Lógico, porém estranho ver o berço vazio. Mas pois é, aqui eles esperam até depois do dia 25 para colocar o menino Jesus. Além disso, é raro ver um presépio em lugares públicos como centros comerciais ou praças.

Mercado de Natal (Marché de Noël)

Ok, alguns lugares no Brasil realizam quermesses durante esta época, mas por aqui essas feirinhas são extremamente organizadas. Todos têm a mesma casinha de madeira e o espaço é público. Por questões de segurança (desde os atentados terroristas) a área é cercada e a entrada e a saída são feitas por apenas um lugar. Antes não havia nenhuma barreira ou revistas de bolsas. Paris colocou até blocos de concreto na calçada na tentativa de evitar o que aconteceu em Berlim.

Ceia

No Natal brasileiro faz um calor “do cão” e nós comemos o que tem de mais pesado: leitoa, arroz, farofa (tudo sem uva passa, pelo amor!), creme de milho e tender (saudade da vó!). Aqui, faz frio e eles comem frutos do mar tipo ostras, salmão cru e camarão pitu. Digo “eles” porque eu realmente não como quase nada da ceia de Natal da minha família francesa. Ainda para “piorar” – para mim -, é um prazer para o anfitrião servir o famoso foie gras aos convidados.

Ah, não posso esquecer de mencionar que o jantar dura hoooooras. E todo mundo fica na mesa, não é aquela história de cada um ir para outro lugar da casa até dar meia noite.

Sobremesa

Você não vai me ouvir reclamar nesta parte. Ouso dizer que o chocolate no Natal francês é tão importante (ou ainda mais!) quanto na Páscoa. As pessoas se presenteiam caixas elaboradas e normalmente outras são reservadas para o fim da refeição. Além disso tem a grande estrela, a “Bûche de Noël”, que é tipo um bolo (mas pode ser de sorvete também) em formato de lenha. Adivinha qual o sabor mais comum? Acertou quem disse chocolate.

 Presentes

Aparentemente (digo isso porque aconteceu comigo e com conhecidos, mas não sei se dá para generalizar), comida é considerada como presente para os franceses. E não quero dizer aquela cesta de Natal que você ganha da empresa. É presente embrulhado embaixo da árvore, mesmo. Eu sei que o que conta é a intenção, mas é complicado receber uma lata cerveja – mesmo que seja brasileira – e sorrir, hein? Moral da história é que isso aconteceu só uma vez. Kkkk

Outra diferença com o Brasil é que na França, assim como nos EUA, o dia de abrir os presentes é na manhã do dia 25. Para uma pessoa ansiosa como eu, é a morte. A minha família francesa logo entendeu e “abrasileirou” isso para mim. Hahaha

Espero que tenham gostado de saber essas curiosidades! Qual a maior diferença para vocês, comparando com os costumes brasileiros? Se você já passou o Natal em outro país, nos conte nos comentários a sua experiência e algumas curiosidades!

Para finalizar, gostaria de desejar a todos vocês um Feliz Natal e uma celebração cheia de paz e gratidão! Que o amor esteja presente em cada ação, pensamento e contato. Sei que de vez em quando reuniões de família enchem o saco, mas apreciem o privilégio desses momentos, pois a vida é curta e não sabemos o que o amanhã nos reserva.

 

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O Ano em que disse sim

Autora: Shonda Rhimes

Título Original: Year of Yes

Gênero: Desenvolvimento Pessoal

Editora: Simon & Schuster

Número de páginas: 311

Ano: 2015

 

Talvez você não preste atenção nessas coisas e não saiba quem é Shonda Rhimes. Ei, ninguém é obrigado, certo? Mas é provável que você reconheça sim este nome como um dos mais poderosos da TV mundial, como o da criadora e produtora das séries “Grey’s Anatomy”, “Scandal” e “How to get away with murder”. Em seu primeiro livro, Shonda nos oferece uma espiada da mulher por trás desse nome.

Tudo começa quando a irmã resmunga que ela nunca diz “sim” para nada. O tempo passa e vem a negação, a auto-avaliação e a decisão de mudar. Ela resolve, por um ano, dizer a palavra mágica para qualquer coisa ou situação que a assuste, como dar discursos ou entrevistas ao vivo. Porque, contra todas as probabilidades, Shonda Rhimes é – era – uma humana como todos os outros e fugia de qualquer situação desconfortável. E como diz aquela frase no Pinterest: “a vida começa no fim da sua zona de conforto”.

Não é fácil, não é indolor e não é gratuito. Com objetivo de se descobrir e se revelar, Shonda luta contra velhos hábitos, perde amigos (ou pessoas que ela acreditava serem honestas) e questiona cada ação, cada pensamento próprio. E quem nunca passou por isso? Se você ainda não experimentou, está mais do que na hora.

Este livro não é um manual de como “Como Dançar, Ficar ao Sol e Ser Sua Própria Pessoa”. Não tem receita mágica. É uma conversa intimista e inspiradora com uma mulher poderosa, porém insegura. E ao ler sua transformação, começamos a questionar a nossa realidade. Cada um na sua. Ela resolve fazer um especial de uma hora na TV. Você talvez finalmente tome coragem para usar aquela blusa que gosta mas que tem medo dos outros acharem estampada demais.

O livro é legal. É irônico. É o fino limite entre realidade e ficção. É Grey’s.

Simplesmente, é Shonda Rhimes.

Quem já leu ou tem vontade de ler “O Ano em que disse sim”? Gostam das séries da Shonda? Me contem a favorita de vocês nos comentários!

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5 perguntas que você precisa se fazer antes de decidir morar fora do Brasil

Viver no exterior é o sonho de muita gente. Porque parece que fora do nosso país as coisas dão mais certo. Porque poderíamos ter as coisas que no Real custam um absurdo. Porque temos a impressão de que pilantra só existe no nosso quintal. Porque não tem trabalho e nada dá certo. Ou não. É apenas vontade de apostar em algo novo. Uma tentativa de se virar sozinho, de se perder e de se lançar no desconhecido. Mudar de cultura, de mentalidade, de ares.

Seja qual for o motivo – e existem milhões -, sair do Brasil e ir morar fora é o objetivo de muitos. Também era o meu. Não estou falando sobre fazer uma viagem ou um intercâmbio. Este post é dedicado àqueles que querem empacotar tudo e comprar apenas uma passagem de ida.

Não peço para que se faça estas perguntas com o objetivo de te desencorajar e nem para te deixar com dúvidas ou mágoas. Quero apenas que você coloque estes pontos na balança. Quero te ajudar a decidir se partir ainda é a melhor opção. Considere isso como um conselho de amiga. Aquela amiga às vezes chata que fala algumas verdades que você não quer ouvir. Mas amiga mesmo, porque se no final você ainda responder “sim” ao sonho de ir embora, eu vou te apoiar 100%.

1- O que vou fazer lá?

As exigências variam de acordo com o país, mas fato é que caso queira entrar e ficar legalmente em outro território, você precisa seguir determinadas regras. Ok, você vai fazer um curso do idioma local. Mas e depois? Se pensa em arrumar um trabalho, considere que não é fácil as empresas se responsabilizarem por um estrangeiro. Já é difícil arrumar emprego quando você tem toda a documentação, imagine dependendo do empregador para obter os papéis.

A parte burocrática deve sim pesar muito na sua decisão caso ainda não tenha visto de residência, nacionalidade e etc. Considere também a orientação do governo do país onde pretende viver, pois a política mais rígida (nacionalista) – ou não – vai influenciar nas condições para obter documentos que lhe permitam ficar legalmente no país.

2- Tenho dinheiro o suficiente?

Viajar não é barato. Qualquer pessoa que já se aventurou sabe disso. Mudar para outro país – com o Real cada dia menos valorizado – é mais caro ainda. Você terá as mesmas despesas que tem no Brasil. Ok, talvez não tenha mais que manter o seu carro, mas vai ter que incluir na conta o transporte público. E não, você não vai aguentar comer lanche todos os dias pelo resto da sua vida.

O que eu quero dizer é: pagar as contas e cumprir compromissos é a mesma coisa em todos os lugares do mundo. Se você está com dificuldades para não ficar no vermelho no Brasil, como esta situação pode melhorar no exterior?

3- Sei ficar bem sozinho(a)?

Se ao chegar você for acolhido por amigos e/ou familiares, pode desconsiderar este questionamento. Mas se for se aventurar sozinho, você aguenta a solidão? Sabe se virar nos perrengues? Claro, nada te impede de ter um novo círculo de amizades no novo endereço. Mas a não ser que seja muito (muito) extrovertido e der muita (muita) sorte, isso leva um tempo. Até lá, tudo bem abraçar só o travesseiro quando quiser chorar?

Não estou sendo pessimista, não quero que você chore. Mas você vai passar por tantas mudanças… Se tudo for 100% maravilha para você, então por favor entre em contato e me ensine! E não falo deste tópico só pela tristeza. Alegria compartilhada é mais gostosa. O Skype, as fotos no Facebook e os snaps são o suficiente para você? Tudo bem não ter ninguém com você no dia do seu aniversário, no Natal ou você perder o Dia das Mães e o primeiro aniversário do seu sobrinho? Se prepare também porque aquelas pessoas queridas que ficaram no Brasil vão seguir a vida sem você. 

4- Conheço a cultura do lugar onde pretendo ir?

Esqueça os clichés dos filmes ou o que você acha que já sabe. Você conhece realmente a cultura, as tradições e as regras sociais do lugar onde quer morar? Pode ser algo menos grave, que não vai te prejudicar, tipo saber que aqui na França a gente não dá beijinho no cabeleireiro. Só aprendi isso na prática e passei vergonha, mas acabou por aí. Pode ser também saber que a sua maneira de se vestir deve mudar, ou que você não pode manifestar afeto na rua. Em alguns lugares a penalidade pode ser mais grave do que simples bochechas coradas. Pesquise, pergunte e se informe.

5- Estou preparado(a) para fazer sacrifícios?

Cresci ouvindo dos meus pais que a vida é difícil. Achava que isso era só pessimismo deles. Hoje, com um pouquinho mais de maturidade, já consigo ver que é um fato. Para alcançar objetivos é preciso fazer sacrifícios. Os outros verão o que você conquistou e vão ignorar a luta, mas você saberá. Enfim, isso acontece no mundo todo. Entende? Não é saindo do país que a sua vida vai ficar mais simples.

E aí podem vir também os sacrifícios mais práticos. Por exemplo: talvez no Brasil você tenha uma ajuda na hora da faxina ou na lavanderia. Lá fora (a não ser que você tenha dinheiro, claro), fica muito mais caro ter este tipo de serviço. Ou seja? Mão na massa. A mordomia acaba quando você cresce e resolve bater asas. 

E aí, pensou? O que você quer fazer?

De novo: não quero desencorajar ninguém. Mas quero sim que você tome uma decisão consciente, pesando os positivos e os negativos. Claro que existe o lado bom. Só que este já está lá no Instagram para todo mundo ver.

Mora ou já morou no exterior e acha que deixei uma questão de fora? Comente! Vamos trocar experiências.</>

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